Rajoy não convence e juros sobre dívida espanhola sobem

Após discurso de premiê da Espanha, mercado conclui que país não pedirá ajuda externa

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SÃO PAULO – O governo espanhol não pretende pedir ajuda ao BCE (Banco Central Europeu) e aos fundos europeus de resgate. Esta foi a conclusão do mercado após a primeira entrevista em oito meses do premiê da Espanha, Mariano Rajoy.

O fato é que o primeiro-ministro não convenceu e os juros sobre os títulos de dívida do país sobem no mercado secundário nesta terça-feira (11). Parte do mercado não acredita que a queda dos custos de financiamento da Espanha é sustentável sem o apoio do BCE e, por isso, o país não será capaz de evitar um resgate.

Durante entrevista à televisão pública espanhola, na noite de segunda, Rajoy afirmou que não aceitará que a União Europeia ou o BCE imponham condições de como o país deve realizar seus cortes de ajuste orçamentário em troca de um eventual resgate global.

O BCE anunciou na semana passada seu novo programa de compra de dívida para os países endividados do bloco do euro. Rajoy afirmou que espera conhecer os termos da ajuda antes de decidir se optará por ela.

Semana agitada
Ao mesmo tempo, o mercado europeu de dívida também é afetado por eventos relevantes programados para os próximos dias. Na quarta-feira, o Tribunal Constitucional da Alemanha, em Karlsruche, decidirá se o fundo de resgate permanente, o ESM (Mecanismo Europeu de Estabilidade), pode ir adiante.

Além disso, na quarta-feira, acontecem as eleições parlamentares na Holanda, enquanto na sexta-feira, está previsto um encontro de ministros de Finanças da Zona do Euro, no Chipre.

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País Rendimento Variação Spread vs. Bund*
Grécia 21,82% -0,39% +20,28
Portugal 8,32% -0,25% +6,78
Itália 5,13% -0,95% +3,59
Espanha 5,73% +0,35% +4,19
França 2,19% -2,89% +0,65
Alemanha 1,54% -1,16% –

* Diferença calculada em pontos percentuais. Fonte: Bloomberg

Entenda: quanto maior, pior
Os títulos públicos são uma das maneiras que os governos possuem para se financiar, enquanto a variação diária dos rendimentos decorre das negociações no mercado secundário. O juro pago pelo governo e o valor do papel são definidos no momento da emissão dos títulos, mas este último sofre variação no mercado secundário.

Assim, quanto mais arriscado um investimento, maior será o prêmio demandado pelos investidores no mercado secundário. Portanto, o valor do título recua e, consequentemente, o rendimento no mercado secundário aumenta. Tal variação positiva é uma indicação de que caso o governo opte por emitir novos papéis o custo para se financiar deverá ser maior.