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A ação da Raízen (RAIZ4) recuou 13,27% e passou mais um dia sendo negociada abaixo do R$ 1, a R$ 0,85, , em meio a noticiário envolvendo potenciais desfechos relacionados ao elevado endividamento da companhia.
Uma reportagem da Bloomberg aponta que a preocupação do mercado é de que seus dois principais acionistas, Cosan (CSAN3) e Shell, não cobrirão um déficit de quase US$ 4 bilhões.
Em reuniões realizadas esta semana para tratar das crescentes pressões financeiras sobre a empresa, a Raízen e seus consultores discutiram possíveis cenários, incluindo um haircut na dívida em uma reestruturação, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto. A cisão de parte dos negócios, uma oferta de ações e uma injeção de capital também foram debatidas, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas porque as negociações são privadas. As discussões estão em fase inicial e nenhuma decisão foi tomada, acrescentaram.
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A Raízen vem enfrentando dificuldades para lidar com altas taxas de juros, safras abaixo do esperado e uma série de apostas ambiciosas — do etanol de segunda geração ao combustível de aviação sustentável — que ainda não geraram retornos significativos. A empresa precisa de um aporte de capital de 20 bilhões a 25 bilhões de reais (US$ 3,8 bilhões a US$ 4,8 bilhões), afirmou o UBS BB Investment Bank no final do ano passado.
As negociações entre os dois conglomerados se arrastam há meses sem uma solução, agravando os problemas da empresa.
Os títulos em dólar da empresa causaram uma perda de 18% para os investidores nos últimos seis meses, um dos piores desempenhos entre os títulos corporativos de mercados emergentes, segundo dados compilados pela Bloomberg.
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No JPMorgan, analistas elevaram a classificação dos títulos na quarta-feira, citando uma “oportunidade tática” após a venda de títulos na terça-feira. Em nota, o banco afirmou que a Raízen conta com liquidez confortável, um plano de venda de ativos em andamento e expectativas de melhoria do fluxo de caixa, classificando a queda como uma “reação exagerada”.
A Raízen enfrenta uma dívida líquida de 53,4 bilhões de reais, segundo seu último relatório de resultados — a próxima divulgação de resultados está prevista para 12 de fevereiro. Esse montante está distribuído entre detentores de títulos, fundos de crédito e os maiores bancos de varejo do Brasil.
A S&P Global Ratings já rebaixou a classificação da empresa para BBB- com perspectiva negativa, enquanto a Moody’s Ratings a rebaixou para grau especulativo, citando a piora dos indicadores de crédito e fluxos de caixa negativos.
(com Bloomberg)