Raio-X do Mercado Livre: pressão no curto prazo não apaga consistência, aponta BBA

Banco revisa previsões para baixo, mas segue acreditando em tese de longo prazo

Erick Souza

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Funcionário do Mercado Livre em escritório em Buenos Aires, Argentina 
(Foto: REUTERS/Agustin Marcarian/Arquivo)
Funcionário do Mercado Livre em escritório em Buenos Aires, Argentina (Foto: REUTERS/Agustin Marcarian/Arquivo)

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O balanço do quatro trimestre de 2025 do Mercado Livre (BDR: MELI34) não agradou o mercado. Um dia após o lançamento, os BDRs chegaram a cair 11,6% e, no exterior, a queda das ações foi quase tão grave, superando os 8%. Para o Itaú BBA, apesar das margens pressionadas, a MELI mostrou um crescimento consistente.

De acordo com o banco, parte do resultado abaixo do esperado veio de fatores não recorrentes. A longo prazo, a tese do Mercado Livre permanece intacta, segundo os analistas, com a ampliação de capacidade estrutural de geração de lucro.

Mesmo com a expectativa otimista, o BBA reduziu o preço-alvo para US$ 2.600 ao fim de 2026, contra os US$ 2.850 de anteriormente. A recomendação segue de compra e, ainda que tenha sofrido redução, o preço-alvo ainda em um potencial de alta de 47% em relação ao preço atual.

O banco também elevou as projeções de GMV (volume bruto total de mercadoria vendidas) para Brasil e México, mas ajustaram as margens para baixo por conta dos custos logísticos, marketing e menor rentabilidade do 1P (vendas próprias da empresa dentro da sua plataforma digital). Até as estimativas de lucro líquido para 2026 e 2027 foram reduzidas, em torno de 4%.

Investimentos pressionam

Segundo a análise aprofundada, o balanço foi pressionado por baixas contábeis em investimentos e perdas com ativos digitais, que somaram cerca de US$ 22 milhões. Somado a isso, os custos de envio tiveram uma alta, aumentando em 0,9 ponto percentual como proporção do GMV.

De acordo com os analistas, no curto prazo, o GMV também deverá ser um ponto de atenção no Brasil. Apesar dos sinais de melhora, o banco sinaliza que o ambiente competitivo tem se intensificado. O Mercado Livre afirmou que a pressão atual nas margens é temporária, reflexo dos altos investimentos, mas que devem gerar retornos superiores no futuro.

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Os altos investimentos, com crescimento expressivo do capex, tem focado no segmento de logística e na expansão de centros de fulfillment (serviços de gestão de estoques e logística ofertado para os vendedores) no Brasil, México e Argentina. Mesmo com forte impacto nos resultados a curto prazo, o Mercado Livre reforça que o movimento é positivo, diante do ganho de participação de mercado.

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Resposta no longo prazo

Para o BBA, a mensagem da MELI é clara: priorizar escala e liderança de mercado, mesmo com margens menores, para capturar maior valor no longo prazo.

Do lado positivo, o que também sustenta o otimismo do banco em relação ao desempenho da companhia, a carteira de crédito do Mercado Livre permaneceu saudável. Apesar da piora no trimestre, a inadimplência acima de 90 dias apresentou uma melhora na comparação anual. O cartão de crédito também tem crescido rapidamente, com inadimplência menor.

Com base na análise, o custo de risco aumentou em algumas linhas, em especial em crédito a lojistas e consumidores. De acordo com os analistas, esse crescimento é um reflexo da decisão estratégica da companhia em crescer produtos de maior retorno.