Radar: acompanhe algumas das principais oscilações na bolsa nesta sexta-feira

Aperto monetário na China e dúvidas em relação à Irlanda voltam influenciar; PanAmericano, JBS e Randon em destaque

Por  Thiago Salomão

SÃO PAULO – Em meio à renovação dos temores sobre China e Irlanda, o Ibovespa segue acompanhando a trajetória dos principais índices acionários internacionais e opera em queda na tarde desta sexta-feira (19). Entre poucas referências corporativas no Brasil, se destacam PanAmericano, JBS e dados operacionais de fabricantes de materiais de transporte.

O clima mais tenso nos mercados reflete o anúncio do governo chinês, que elevou a taxa de depósitos compulsórios em 0,50 ponto percentual, entre preocupações sobre a inflação anual, próxima ao pico máximo dos últimos 25 meses. Os temores sobre a Irlanda também têm tido influência. Após reunião da véspera para discutir um possível empréstimo ao país, o foco desta sessão é a dúvida sobre como será o pacote de ajuda, em termos de tamanho e formato.

Ainda nesta sexta-feira, vale destacar o discurso de Ben Bernanke, presidente do Fed, realizado em Frankfurt. Em um tom diferente do usual para chefes de autoridade monetária, Bernanke defende o segundo plano de estímulo à economia norte-americana – o popular QE2 – e também condena as medidas que têm sido utilizadas pela China para manter o yuan fraco.

JBS é destaque do Ibovespa
O JBS (JBSS3) divulgou um comunicado nesta sexta-feira afirmando que o diagnóstico de um indivíduo com a doença CJD (Creutzfeldt-Jakob Disease) não tem qualquer relação com a indústria de carnes. A empresa ressaltou que uma variante da doença é associada ao que ficou popularmente conhecido como Vaca Louca, mas que tal anomalia nunca atingiu o Brasil.

Contrariando a trajetória negativa dos mercados, os papéis do frigorífico registram ganhos próximos de 1,8%, figurando entre as maiores altas do Ibovespa.

Eletrobras
Destaque também para a Eletrobras (ELET3,ELET6), informando que o governo encaminhou projeto de Lei solicitando a retirada da empresa do esforço fiscal para o cumprimento da meta de superávit primário das contas do setor público. Caso o projeto seja aprovado, o governo poderá reduzir sua meta para este ano, atualmente em 3,3% do PIB (Produto Interno Bruto).

Em meio ao comunicado, as ações da companhia operam com modestas variações, alternando entre perdas e ganhos no intraday. Nesta tarde, os papéis ON registram queda de 0,18%, enquanto os ativos PNB recuam 0,23%.

Presidente do PanAmericano pede demissão
Dando sequência ao escândalo no Banco PanAmericano (BPNM4), o presidente do Grupo Sílvio Santos, Luiz Sebastião Sandoval, pediu demissão na noite da última quinta-feira. O executivo, que trabalhava na empresa há 40 anos, e há 28 como presidente, dá lugar ao sobrinho de Sílvio Santos, Guilherme Stoliar. As ações do banco operam estáveis em R$ 4,98.

Randon e Fras-le
A fabricante de materiais de transporte Randon (RAPT4) e sua subsidiária Fras-le (FRAS4) divulgaram a receita líquida consolidada para o mês de outubro, com a primeira registrando um total de R$ 334,3 milhões e a segunda reportando R$ 45,8 milhões. Os papéis da Randon operam com alta próxima de 0,3%, enquanto os ativos da Fras-le avançam mais de 3,2% nesta tarde.

Ofertas públicas
Enquanto isso, a Tivit (TVIT3) também publicou nesta sexta-feira o edital da OPA (Oferta Pública de Aquisição) de ações ordinárias. A operação, liderada pela Dethalas, empresa que detém 54,75% do capital social da companhia, tem a finalidade de cancelar o registro da empresa. O leilão foi marcado para o dia 20 de dezembro, com um preço por ação – já previamente divulgado na minuta do edital em agosto – de R$ 18,10.

Do mesmo modo, a Karoon Petróleo & Gás decidiu por cancelar o IPO (Initial Public Offering) da empresa. “A Karoon anuncia que, dadas as condições desfavoráveis do mercado, não continuará com o IPO de seus ativos sul-americanos desta vez”, explicou a empresa em nota. Para analistas e gestores, o cancelamento põe em relevo o desgaste do mercado com a oferta recente da Petrobras (PETR3, PETR4), bem como o cenário de crise na Europa.

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