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SÃO PAULO – Maior empresa com controle privado do País no segmento de transmissão de energia, a Transmissão Paulista (TRPL4) tem o pagamento de dividendos como principal driver – característica comum às empresas do setor de energia e saneamento. Também em linha com as companhias do setor, a questão da renovação das concessõs de seus ativos – que no caso da empresa, vencem em 2015 – é determinante para a Transmissão Paulista.
Os últimos resultados trimestrais reportados pela empresa, referentes aos últimos três meses de 2009, vieram abaixo do esperado pelo mercado, e também inferiores aos números do trimestre anterior e do mesmo período de 2008. A receita líquida foi de R$ 381 milhões, com Ebitda (geração operacional de caixa) de R$ 277 milhões.
“A companhia optou por antecipar o efeito da retroatividade do reposicionamento tarifário – que estava previsto para julho de 2009 mas foi postergado para julho de 2010 pela Aneel (Agência Nacional de Eenrgia Elétrica) – reconhecendo a redução da receita, com impacto negativo de R$ 42,5 milhões”, explica Marco Aurélio Barbosa, analista da Coinvalores.
Na mesma linha, o analista do Citigroup Marcelo Britto explica o resultado decepcionante com antecipação. Entretanto, lembra que os custos mostraram aumento de 13% na comparação anual, frustrando as expectativas. A opinião é compartilhada por Barbosa, que acredita que a pressão nas despesas operacionais refletiu na queda de 4,3 ponto percentual na margem Ebitda tambpem na comparação anual, vindo em 78,5%.
Dividendos: excelente distribuidora
É consenso entre os analistas que cobrem a empresa que um de seus diferenciais é o pagamento de dividendos. No modelo do analista do Citi, do retorno esperado de 12 meses, mais de 75% é composto de pagamento de dividendos – 12,1%, enquanto a apreciação do capital responde por 3,6%, chegando ao retorno esperado de 15,8%.
Para Barbosa, da Coin e, Rafael Quintanilha, analista da Brascan, o perfil de ser boa pagadora de dividendos justifica a recomendação de compra e acima da média do mercado, respectivamente. “A empresa vem distribuindo cerca de 75% da sua linha final [lucro líquido], resultando em um dividend yield para 2010 de 8,8%”, afirma Quintanilha.
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Barbosa lembra ainda que com a emissão de debêntures no montante de R$ 548,6 milhões, os recursos serão usados para recomposição de caixa e aportes em controladas, além do resgate de uma emissão de notas promissõrias.
Desempenho das ações do setor
Em termos acionários, o setor teve um desempenho bom em 2009, mas abaixo do benchamark – o IEE (Índice de Energia Elétrica) subiu 59%, enquanto o Ibovespa se valorizou 82,6% ao longo do ano. O movimento pode ser considerado normal, considerando que trata-se de um setor defensivo. Entretanto, desde o iníco de 2010, enquanto o IEE avançou 2,07%, o Ibovespa subiu 1,62%.
Demanda
Segundo dados da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), em 2009 houve decréscimo de 1,1% no consumo total de energia. O segmento industrial foi o que mais contribuiu para a queda, em função da retração da atividade por conta da crise.
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“Já a demanda interna se manteve aquecida, muito por conta das medidas tomadas pelo governo para minimizar os efeitos da crise, entre elas a redução seletiva de impostos, a redução dos juros e a expansão do crédito”, conforme consta na Resenha Mensal do Mercado de Energia Elétrica da EPE, publicada em 25 de janeiro.
Para 2010, espera-se recuperação nos volumes dos dois segmentos (industrial e comercial), e a expectativa é de crescimento de 9,4% no consumo frente ao registrado em 2009, chegando a 455,2 mil gigawatts-hora, ainda segundo dados da EPE. As perspectivas para o longo prazo também são positivas, com projeção de crescimento a taxa média de 5,2% ao ano entre 2010 e 2018.
Concessão
No final de janeiro, chegou a ser confirmado que o governo renovaria as concessões do setor elétrico, citado como consenso pelos analistas como o principal driver do setor elétrico. Entretanto, no mesmo dia em que a notícia da confirmação pelo presidente de Minas e Energia Edison Lobão foi veiculada na imprensa, o governo negou a renovação.
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Para Vicente Koki, analista do Banif, as ações mais sensíveis à questão da renovação de concessões são Cesp, Eletrobrás e a Transmissão Paulista. “As concessões destas empresas – para algumas usinas, outras linhas de transmissão – têm vencimento até mesmo antes de 2015”, justifica o analista.
Koki afirma que acreditava que o governo não perderia a oportunidade de aprofundar a modicidade tarifária do setor elétrico após realizar as renovações. Mas, como a questão não foi resolvida, além da proximidade das eleições, o analista acredita que a questão ficará para o novo governo.
Um total de 80% das concessões dos ativos da Transmissão Paulista vence em 2015. Para os analistas do Banco Fator Corretora, Renato Maurício Pinto e Vicente Falanga Neto, com a negociação andando “a passos lentos”, permanecem as dúvidas com relação ao real valor da empresa.
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Assim, a recomendação dos analistas é de manutenção para os papéis da empresa.