Publicidade
SÃO PAULO – No final de janeiro, o investidor bilionário Warren Buffett lançou um desafio: ele dará US$ 1 bilhão para quem acertar todos os resultados de basquete do campeonato do National Collegiate Athletic Association (NCAA), conhecido como March Madness.
São 63 jogos de basquete e acertar os resultados é praticamente impossível. As chances de acertar são de apenas uma em 9,2 quintilhões; se todos os americanos apostassem, haveria apenas uma combinação perfeita a cada 400 anos. Mas caso alguém acerte, ganhará 40 parcelas anuais de US$ 25 milhões ou US$ 500 milhões em ações e dinheiro imediatamente.
Mesmo sendo “impossível”, há quem esteja trabalhando duro para ganhar essa aposta. E, pensando nisso, o site Barron’s destacou que os americanos podem aumentar as suas chances de ganhar a aposta, “simplesmente ignorando o trabalho, família e amigos por alguns dias e mergulhar neste mundo de apostas em torneios de basquete”.
No torneio, 64 equipes estão distribuídas em quatro grupos de 16 times cada, com a equipe número 1 jogando com a 16, a 2 com a 15, e assim por diante. As equipes vencedoras passam para a próxima rodada. Apesar das dificuldades, o professor de matemática e ciências da computação da Davidson College, Tim Chartier, destaca que se sabe que não se deve apostar contra uma equipe “top” no primeiro turno, ou até mesmo contra a segunda. Aí, depois, as dificuldades em acertar aumentaram: “Quase todos os anos, o 12º bate o 5º”, diz Chartier, em relação a outras fases.
Chartier desenvolveu um conjunto de indicadores que vai além da temporada regular de perdas e ganhos. O mais importante é a força da agenda de uma equipe durante a temporada: entre dois times com porcentagens de vitória semelhantes, “ganha pontos na aposta” quem jogou com adversários mais fortes. As vitórias mais recentes dizem mais do que o início da temporada, em um movimento similar à técnica usada no mercado de ações quando os ativos estão atingindo máximas recentemente, ao invés de olhar para aquelas que atingiram alta em relação ao ano anterior, mas recuaram nas últimas semanas.
Em seguida, olhar para as equipes com o maior número de vitórias consecutivas e aumentar as apostas nas equipes com uma margem de mais ou menos 15 pontos de diferença em vitórias pode ser um bom indicador. Chartier avalia que esses fatores, juntos, podem aumentar a probabilidade média de acertar o resultado de cada jogo em cerca de 70%, aumentando a chance de ganhar US$ 1 bilhão de Buffett para uma em cada 5 bilhões.
Continua depois da publicidade
Com base nessas premissas, Chartier e os seus alunos vêm desenvolvendo algoritmos para ajudar os torcedores. Ele destaca que não há uma fórmula definitiva, mas acredita que os seus métodos irão ajudar os apostadores. Mas avisa: “você usa matemática, mas também tem que usar a sua intuição”.
A Quicken Loans, um dos maiores credores hipotecários dos Estados Unidos, e que lançou a aposta com Buffett, terminará as inscrições do torneio em 20 de março ou até atingir 15 milhões de inscritos. Os jogadores começaram a dar os seus palpites desde o último domingo.
Ainda está achando difícil? A Barron’s destaca que há outras maneiras de fazer “US$ 1 bilhão do nada” – ou “quase do nada”. Com US$ 1.000 por mês e um retorno “buffettiano” de 17%, conseguir essa quantia levaria “apenas” 60 anos. Levando em consideração uma inflação anual de 5%, poderia levar 170 anos. E até Buffett pode entrar na brincadeira: em entrevista à CNBC, ele ofereceu um “pequeno insight” sobre como iria preencher os resultados. E perguntado se ele achava que este ano o 1º iria vencer o 16º – um resultado que nunca ocorreu na história do torneio -, ele afirmou que tudo pode acontecer.