Quer ficar longe de armadilhas? MorningStar lista atitudes para se evitar

Excesso de confiança, seguir a maioria, ancoragem: estrategista descreve problemas e propõe soluções aos investidores

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SÃO PAULO – “Investir é tanto um exercício de controle das emoções quanto é um exercício intelectual”. A afirmação foi utilizada pelo estrategista da MorningStar, Paul Larson, para introduzir uma questão importante aos investidores: a necessidade de identificar e corrigir as fraquezas naturais e os vieses, de forma a tomar decisões melhores acerca das aplicações.

Foi pensando nisso que o estrategista montou uma lista com oito das principais “armadilhas mentais” que poderiam inibir a tomada racional de decisões e, portanto, que deveriam ser evitadas pelo investidor.

Ancoragem

“Ancoragem é o ato de se apegar a uma dada informação e usar isso como um ponto de referência para a tomada de decisões”, explica Larson. “Infelizmente, muitos investidores apegam-se a coisas que são irrelevantes para o valor de um negócio, como sua própria base de custo pessoal em uma ação ou o pico de 12 meses”, completa.

De acordo com Larson, ao invés dessas questões, os investidores deveriam focar fatores relevantes, como as estimativas de fluxo de caixa futuro. Além disso, é necessário sempre estar atualizado, para não ficar ancorado em opiniões ultrapassadas, tanto na esfera micro como na macroeconômica.

Viés de frequência

Outra armadilha importante se refere à importância das informações. “A importância que a nossa mente liga à informação é correlacionada com quão frequentemente nós vemos essa informação. Se nós vemos e pensamos sobre algo com frequência, nossos cérebros dão maior importância a isso”, argumenta o estrategista da MorningStar.

No caso do mercado acionário, a informação mais recorrente é a cotação da ação. Entretanto, essa é apenas uma parte da equação que manda comprar quando o preço está abaixo do valor intrínseco e vender quando ele está acima. Afinal, se o investidor não souber qual o valor intrínseco, saber a cotação do papel pouco vale.

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“Para ajudar a compensar esse viés, reduza a frequência com que você checa os preços de suas ações e aumente o tempo que você gasta lendo coisas que contenham informações úteis, como os relatórios anuais”, recomenda Larson.

O meu vale mais

Segundo o relatório da MorningStar, “as pessoas colocam um valor mais alto nas coisas que elas já têm do que naquelas que elas não têm. Isso significa que nós venderíamos nossas posses a um preço muito mais alto do que quando compramos essas mesmas posses se nós já não a tivéssemos”.

Exemplificando a explicação, Larson conta o experimento realizado pelo economista Richard Thaler. Em um grupo, metade das pessoas recebe uma caneca de café, tendo que estabelecer um preço pelo qual estariam dispostas a vender o produto. A outra metade determina qual o preço que estaria disposta a pagar. “Inevitavelmente, o preço dos vendedores é quase o dobro do que o dos compradores potenciais”.

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Essa armadilha pode levar o investidor a manter certas posições por muito tempo. Para evitá-la, Larson sugere que as pessoas finjam não ter o ativo e se perguntem se elas o comprariam atualmente. Se a resposta for não e houver investimentos interessantes disponíveis, então vale a pena vender.

Aversão a custos irreversíveis

Visando apagar a sensação de ter gasto recursos à toa, o instinto do ser humano é tentar recuperar os custos – em dinheiro ou tempo – gastos em certas situações. Essa aversão a custos irreversíveis é uma variação, segundo Larson, da aversão ao prejuízo, que diz que a dor das perdas é duas vezes mais intensa para as pessoas do que o prazer do ganho.

“Duas dicas sobre isso. Primeiro, se uma ação claramente vale muito menos do que originalmente pagamos por ela, nós deveríamos vendê-la se o valor do dia estiver acima das nossas estimativas de valor atual; o fato de que estamos realizando prejuízo deveria ser irrelevante para a decisão. Segundo, se nós gastamos horas pesquisando uma oportunidade, nós ainda assim deveríamos estar dispostos a deixá-la”.

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Comportamento de rebanho

Outro instinto humano é fazer o que a maioria está fazendo – afinal, a maioria pode ter uma informação que não temos. O problema dessa tendência é que pode levar os investidores a escolherem ativos baseados no passado, o que nem sempre funciona no presente. Além disso, esse movimento também está por trás das bolhas e dos pânicos no mercado.

“Ter uma visão independente e a vontade de ir contra a maré não é fácil, mas estas são atitudes incrivelmente importantes se você quer ter retornos superiores comprando na baixa (quando as ações são impopulares) e vendendo na alta (quando o mercado está eufórico). Como eu disse antes, compre no som dos canhões, venda no som das trombetas”, sugere o estrategista.

O viés do caráter recente

Como vivemos no “aqui e agora”, a tendência dos investidores de dar peso maior aos fatos recentes do que à perspectiva histórica é comum e pode levar ao sentimento de que a situação presente do mundo – boa ou ruim – irá persistir no futuro. Essa é a sexta armadilha listada por Larson e pode ser superada, segundo ele, de modos diferentes.

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Primeiro, o investidor deve lembrar que o status quo, em qualquer situação, provavelmente irá mudar. Segundo, é necessário avaliar um extenso histórico dos dados. “Eu acredito que este é um dos vieses mentais que podemos mais facilmente explorar”, frisa Larson, acrescentando que “tendo uma visão de longo prazo em um mundo com um foco de curto prazo criado por incentivos de curto prazo” pode criar retornos significativos.

O viés da confirmação

“Nosso instinto é procurar informações que confirmem as nossas visões já existentes, aceitando dados que se encaixam nas nossas percepções pré-concebidas, enquanto rejeitamos dados que não sustentam o que nós pensamos”, destaca a MorningStar. Contudo, isso pode levar os investidores a ignorarem certos fatos, mantendo um otimismo – ou pessimismo – muito grandes.

Assim, é saudável procurar pontos de vista opostos aos que já temos, procurando evidências que não confirmem ideias pré-concebidas. Os benefícios dessa atitude, conforme listados por Paul Larson, são: julgamento independente – o que impede o investidor de se apaixonar por uma ação; descobrir os erros de investimento mais cedo; e, se conseguir refutar as ideias opostas, o investidor terá mais convicção na hora de fazer as aplicações.

Excesso de confiança

“É um fato infeliz que as pessoas tendem a crer que suas habilidades são bem maiores do que realmente são”. A oitava e última armadilha listada pelo estrategista da MorningStar é autoexplicativa e suas consequências são conhecidas, assim como as soluções: manter a humildade e admitir e analisar erros.

“Mas eu acredito que o mais importante que deve ser aprendido sobre o excesso de confiança é que nós devemos ter certeza de não tomarmos riscos irracionais. Isso significa manter uma quantia apropriada de diversificação no portfólio e não apostar excessivamente em uma ideia. Isso também significa ter uma margem de segurança apropriada”, conclui Larson.