Quer escolher fundos como um profissional? MorningStar dá as dicas

Analista sugere aos investidores avaliar histórico, portfólio e custos dos fundos, sempre dentro do contexto de cada categoria

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SÃO PAULO – Escolher um fundo mútuo não é tarefa fácil para os pequenos investidores, especialmente dadas as diversas informações disponíveis e os fatores envolvidos em um investimento do tipo. Por outro lado, para os profissionais cujo trabalho é avaliar esses fundos, a escolha, embora envolva análises mais complexas, é muitas vezes mais fácil.

“Na verdade, geralmente é possível ter uma boa ideia do mérito de um fundo apenas olhando as informações disponíveis, contanto que você saiba o que procurar”, afirma o analista David Kathman, da MorningStar. Foi pensando nisso que ele listou algumas perguntas-chave que os profissionais fazem quando começam a avaliar um fundo.

Histórico

As duas primeiras perguntas básicas que o investidor deve fazer – e geralmente faz – são relativas ao histórico do fundo. Como foram os retornos e os riscos assumidos pela gestão no passado? Embora o histórico não necessariamente corresponda à situação atual, esses são questionamentos que devem ser feitos na avaliação de investimentos.

No caso dos retornos, o interesse deve ser em um passado mais específico. “Tipicamente nós nos interessamos mais em como foi a performance do fundo desde que o atual time de gestão assumiu”, informa Kathman. Por exemplo, se um gestor com bom histórico de retornos deixa o fundo, os analistas da MorningStar tendem a ser mais cautelosos em relação ao investimento.

Já no que se refere aos riscos, a recomendação de Kathman é avaliar os desvios-padrão dentro do contexto de cada fundo, já que diferentes tipos de investimento têm diferentes níveis de volatilidade. Porém, ele alerta que também devem ser observados os riscos de declínio: “se um fundo já atingiu a mínima de sua categoria no passado, você deve estar preparado para a probabilidade de que isso aconteça de novo em algum momento”.

Portfólio

A segunda parte da avaliação fica por conta do portfólio de cada fundo e sua concentração em relação aos pares. “Se um fundo está significativamente exposto a alguns setores, isso pode te dar uma ideia de como será seu provável desempenho em certos tipos de mercado”, indica o analista. Por exemplo, fundos posicionados em ações de tecnologia tendem a ter performances boas durante bull markets e fracas em bear markets.

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De acordo com Kathman, uma das maneiras mais simples de avaliar os portfólios dos fundos é olhando para suas maiores posições. Se em sua maioria elas são de empresas grandes e conhecidas, o fundo provavelmente investe mais em large caps e terá performances similares às do mercado; se, por outro lado, as principais posições forem em empresas menores e desconhecidas, o desempenho tende a ser menos relacionado ao do mercado.

Custos

Por fim, Kathman ressalta ainda um último ponto importante a ser avaliado pelos investidores: os custos dos fundos. “A proporção de despesas é o que nós tendemos a focar mais, porque engloba tudo que os acionistas pagam, exceto as vendas”, informa.

Porém, também os custos devem ser analisados dentro do contexto da indústria. Kathman conclui que as despesas não devem ser comparadas apenas entre fundos de mesma categoria, mas também entre classes de ações comparáveis.