Quem vai se beneficiar da tesourada da Dilma nas elétricas?

Usiminas deve ser a siderúrgica mais favorecida pelo plano de corte da energia; na lista da Lopes Filho também entram Klabin e Braskem

Usina siderúrgica na China
Usina siderúrgica na China

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SÃO PAULO – Depois da tesourada da Dilma Rousseff nas elétricas, as ações das empresas do setor viram seu valor de mercado se diluírem na bolsa paulista mais de R$ 14 bilhões em um único pregão. Essas companhias, por enquanto, vivem um pesadelo na BMF&Bovespa, mas alguns setores vão se beneficiar e muito desse plano, que veio para deixar indústria nacional mais competitiva. 

As desonerações anunciadas devem ajudar a reduzir o custo da indústria e criar condições para aumentar a competitividade das empresas, disse a equipe de análise da Lopes Filho. Mas quem deve se favorecer com esse plano? Segundo os analistas, a Usiminas (USIM3, USIM5) deve ser a siderúrgica mais beneficiada, visto que o custo com energia elétrica representa aproximadamente 10% do seu custo total e os seus investimentos voltados para geração de energia estarão concluídos apenas em 2015.

O impacto positivo, contudo, nas outras empresas do setor, como Gerdau (GGBR4) e CSN (CSNA3) devem ser bem menor, já que produzem parte da energia que consomem.  Entre as empresas do setor de papel e celulose a única que deve ser favorecida é a Klabin (KLBN4), uma vez que ele precisa comprar energia no mercado para produção de papel. Já entre a indústria petroquímica, a Braskem (BRKM5) deve ganhar bastante também, mas os analistas estimam que ainda é preciso aguardar outro pacote de medidas do governo, como a redução de alíquotas de importação, o que deve levar a maior ganho de market share. 

Consumidor também deve gahar
Em outros setores é esperado que essa redução do preço de energia nas contas já seja repassada para o consumidor, como o de alimentos, com destaque para: JBS (JBSS3), Marfrig (MRFG3), BR Foods (BRFS3), Minerva (BEEF3) e M.Dias Branco (MDIA3). Outra companhia que também poderá repassar essa diferença é a Weg (WEGE3), já que é esperado que ganhe competitividade, especialmente no mercado internacional onde as ineficiências em relação ao Custo Brasil criaram desigualdades na competitividade com alguns importantes players, disseram os analistas.

Souza Cruz (CRUZ3), Ambev (AMBV4) e Natura (NATU3) também devem apresentar algum ganho, assim como as varejistas Pão de Açúcar (PCAR4), Lojas Renner (LREN3), Lojas Americanas (LAME4), Lojas Marisa (AMAR3), Guararapes (GUAR3), Magazine Luiza (MGLU3), BR Malls (BRML3), Multiplan (MULT3) e Iguatemi (IGTA3), complementou a Lopes Filho. 

Quais são os próximos eventos?
Os analistas acreditam que a desoneração das tarifas de energia elétrica parece ser apenas o primeiro passo de um processo maior. Nos próximos três meses, “o debate entre o governo e empresas deve prosseguir, visando a redução da carga tributária do setor, até porque o peso para o consumidor de baixa tensão continuará a ser o ICMS”, comentam.

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O pacote anunciado não contemplou a redução do PIS/Confins, que inclusive era aguardada pelo setor, e ainda deve haver espaço para novas alterações nos encargos e tributos setoriais, disseram os analistas. 

O cenário ainda gera muito dúvida para o mercado sobre o desempenho e capacidade de investimento das empresas geradoras e transmissoras de energia elétrica. Por isso, a Lopes Filho é enfática: o momento exige cautela com essas ações.

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