Quem tem medo de Trump? Exportadores de carne ensaiam 3º tri forte mesmo com tarifa

Na ponta do lápis, os analistas calculam que as vendas externas da JBS cresceram 27,8% na comparação trimestral e 53,5% em relação ao mesmo período do ano passado

Murilo Melo

(divulgação)
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As exportadoras brasileiras de carne bovina sofreram com a decisão do governo de Donald Trump de elevar para 50% a tarifa sobre o produto em agosto, o que reduziu quase a zero os embarques para aquele mercado. Apesar da perda, dados do JPMorgan indicam que JBS (JBSS3) e Minerva (BEEF3) devem encerrar o terceiro trimestre deste ano (3T25) em alta, graças à demanda da China e pela diversificação de destinos.

À época, o governo americano alegou que a decisão foi motivada por “ameaças à segurança nacional, à política externa e à economia norte-americana”, supostamente decorrentes de ações recentes do governo brasileiro.

A retaliação anunciada por Donald Trump não deve comprometer o desempenho das exportações brasileiras de carne bovina, o que afasta receios de investidores em relação ao impacto da medida sobre o setor. Isso porque, na ponta do lápis, os analistas calculam que as vendas externas da JBS cresceram 27,8% na comparação trimestral e 53,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

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No caso da Minerva, a elevação foi de 25,8% e 109,9%, respectivamente. A forte variação no desempenho da Minerva, diz o banco, tem relação direta com a liberação de licenças para plantas adquiridas em maio e junho.

No mesmo período, o preço do boi gordo em dólar subiu 1,5% no trimestre e 33,6% no ano, mas esse avanço foi compensado por valores médios de exportação próximos de US$ 5,60 por quilo, o que manteve as margens em torno de 30%.

JBS reina

Na avaliação do JPMorgan, a JBS continua sendo a principal escolha de investimento, classificada como compra, por apresentar menor dependência das exportações do Brasil para os Estados Unidos, presença relevante no mercado norte-americano por meio de subsidiárias e ampla diversificação de produtos e países. Para a Minerva, a recomendação é neutra, considerando a precificação em bolsa e o nível de endividamento, ainda que o banco reconheça a continuidade de ganhos.

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JBS e Minerva concentraram vendas no primeiro semestre, antes da tarifa dos EUA entrar em vigor. Em seguida, houve uma reorientação para a China, que absorveu volumes recordes: 300 mil toneladas da JBS e 130 mil toneladas da Minerva, ambos acima de marcas históricas.

A JBS reduziu a participação dos Estados Unidos de 12,5% para quase zero em um ano, enquanto a China passou de 49% para 60%. A Minerva diminuiu a fatia norte-americana de 21,7% para 3% e viu a China subir para 43%, com ganhos também em Rússia, Chile e Filipinas.

Novos mercados

Em reunião recente com investidores, a administração da Minerva disse que pretende ampliar a originação de carne na Argentina e no Uruguai para sustentar embarques aos Estados Unidos. A empresa também avalia expandir vendas para o México, que abastece o mercado de hambúrgueres norte-americano, e para países do Sudeste Asiático, como Indonésia, Filipinas e Vietnã.

A Abiec disse na quarta-feira (17) que o Brasil deve aumentar entre 12% e 14% os volumes embarcados neste ano frente ao ano anterior. Segundo o presidente da entidade, Roberto Perosa, o setor tem capacidade de redirecionar cargas que antes iriam para os EUA, com demanda global firme e com novos mercados em negociação, como Japão, Turquia e Coreia do Sul.

Conforme o JPMorgan, a expectativa é que a China mantenha as compras em alta entre agosto e outubro, período de formação de estoques para o Ano-Novo. Esse movimento deve sustentar os números das exportadoras brasileiras no terceiro trimestre. Para os analistas, mesmo com a política de tarifas de Washington, a procura chinesa e a entrada em novos mercados garantem fôlego para JBS e Minerva manterem volumes elevados e margens estáveis para além dos próximos meses.