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SÃO PAULO – A OGX Petróleo (OGXP3) pediu recuperação judicial e suspenderá o pagamento de dívidas aos credores, na última quarta-feira (30). Com isso, serão muitos os credores que ficarão sem sem receber os juros do dinheiro que foi concedido para a petrolífera de Eike Batista.
A empresa já deixou de pagar juros de US$ 45 milhões no início de outubro, referentes à sua dívida de US$ 1 bilhão com vencimento em 2022. De acordo com o contrato da dívida, a companhia tinha um mês para realizar esse pagamento sem que fosse considerada inadimplente – prazo que se encerra nesta sexta. Mesmo que o pagamento seja realizado, a companhia ainda teria uma dívida de US$ 3,6 bilhões em bônus distribuídos nas carteiras de dezenas de credores, um montante impagável para uma empresa que praticamente não gera caixa.
Mas quem são os principais credores da empresa? O InfoMoney não conseguiu acesso a todos os números, mas, de acordo com dados parciais da base da Bloomberg, essa lista inclui alguns nomes conhecidos do mercado, como Pimco e BlackRock. Sobrou até para os fundos geridos por instituições nacionais, como o BTG Pactual e Itaú Unibanco, ambos representados por suas subsidiárias no Chile, que tinham alguma posição nesses bonds, embora não muito expressiva.
Os números abordam apenas os fundos que tenham seu portfólio aberto para o mercado. Por conta disso, é difícil rastrear quem são os detentores de 100% da dívida da OGX: apenas 12,22% das dívidas em bônus com vencimento em 2018 estão nas mãos de fundos com portfólio aberto enquanto 21,53% dos títulos com vencimento em 2022 puderam ser rastreados. Os títulos são emitidos pela OGX Austria, uma subsidiária da OGX, e são negociados no exterior – o que diminui a possibilidade de que gestoras nacionais tenham perdas.
Os maiores detentores de títulos
No momento, a Pimco é a maior detentora das dívidas, com 53.200 papéis – 30.100 com vencimento em 2018 e 23.100 em 2022. Cada bônus tem valor de face igual a US$ 1.000. Muito próximo vem a Bluebay Asset Management, com 51.900 papéis, sendo 31.900 com vencimento em 2022 e 20.000 com prazo de 2018.
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O terceiro colocado, a Investec, tem 21.500 papéis e a BlackRock, na quarta posição, conta com 21.286 bonds da OGX – todos com vencimento em 2018. Uma subsidiária da gestiora possui outros 2.500 títulos.
Enquanto isso, os fundos geridos pelo BTG Pactual Chile ficam com a primeira posição entre as instituições nacionais, com 17.100 títulos de dívida da OGX. Procurado pelo InfoMoney, o BTG não especificou se os fundos que possuem esse papéis são de capital de terceiros ou de capital do próprio banco.
| Instituição | Quantidade de títulos 2018 | Quantidade de títulos 2022** | Total |
| Pimco Advisors | 30.100 | 23.100 | 53.200 |
| Bluebay | 20.000 | 31.900 | 51.900 |
| Investec | 13.000 | 8.500 | 21.500 |
| BlackRock | 21.286 | 0 | 21.286 |
| Goldman Sachs | 4.200 | 10.785 | 18.985 |
| BTG Pactual Chile | 11.900 | 5.200 | 17.100 |
| Aletti Gestielle | 9.681 | 5.000 | 14.681 |
| Goldman Sachs Asset | 2.600 | 10.304 | 12.904 |
| Moneda Asset | 5.724 | 6.376 | 12.100 |
| Skandia Investment | 6.250 | 4.050 | 10.300 |
| Pioneer Investment | 3.889 | 6.111 | 10.000 |
| Todos os títulos de dívida tem valor de face de US$ 1.000 **Já inadimplentes |
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É difícil calcular o potencial de perdas das gestoras em caso de calote por quatro motivos: 1) ninguém sabe o total de papéis que estão nas mãos de cada gestora porque nem todos os números são públicos; 2) a base da Bloomberg não revela qual foi o preço de compra dos papéis por cada gestora; 3) não é possível saber se alguma gestora vendeu papéis recentemente sem ainda ter publicado a informação; e 4) em caso de liquidação da OGX, é possível que os ativos da empresa sejam suficientes para cobrir parte das perdas das gestoras ou até mesmo gerar algum lucro.
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Apesar de o valor de face de cada bônus ser de US$ 1.000, isso não significa que as gestoras da lista tenham pagado isso nos papéis – ou seja, as perdas dos envolvidos podem ser muito menores. Os títulos negociam com forte desconto nos mercados internacionais de dívida – o de 2018 é negociado a 7,5% do valor de face e o de vencimento em 2022 esta a 8,5% do valor. Esse desconto atrai muitos investidores de alto risco, que compram papéis já muito descontados e algumas vezes esperam lucrar com a própria liquidação da empresa. Alguém que compra o bônus hoje pode até ter lucro se a venda de todos os ativos da empresa for suficiente, por exemplo, para cobrir 20% da dívida daqui a um ano.