Quem manda na empresa familiar?

Herdar uma empresa em sociedade, significa receber um negócio pulverizado, pois poder esta diluído entre todos os outros que por ele têm direitos

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SÃO PAULO – No último artigo tratamos da importância da sucessão planejada para as empresas familiares como fator indispensável para a continuidade do negócio. No entanto, outro aspecto merece nossa especial atenção: o processo decisório na empresa familiar após a realização da sucessão.

Em geral, as empresas familiares, de norte a sul do país, tendem a reproduzir o mesmo modelo decisório, fundamentado no bom senso e no feeling do seu fundador. É um modelo individual no qual o fundador age com total liberdade, pois ele é o único dono e não precisa dar satisfação a ninguém, a nenhum membro da família.

Mas após a sucessão, o modelo individual tende a ser substituído por um coletivo, mesmo porque é necessário garantir que sejam representados os interesses de todos os envolvidos. Neste novo contexto, a inexperiência e, muitas vezes, a ganância faz com que muitos herdeiros tenham a falsa idéia de que um dia se tornarão “donos” do negócio e poderão agir como o fundador agia.

No entanto, herdar uma empresa em sociedade com terceiros, sejam irmãos, primos ou mesmo desconhecidos, significa receber um negócio pulverizado, ou seja, o poder estará diluído entre todos os outros que têm direitos sobre ele. E esse é um dos motivos pelos quais as empresas familiares passam por crises de liderança após a morte ou afastamento do seu fundador.

Maioria não planeja sucessão

Não é novidade que poucas são as empresas familiares que realizam uma sucessão planejada. O mais comum é procurar na família aquele(s) parente(s) que já está no negócio ou tem “jeito” pra coisa, e poucos são aqueles que partem para a contratação de um gestor. Independente do caso, a tendência que se observa é a de uma influência, nem sempre positiva, de vários herdeiros na condução do negócio.

Você que é membro de uma família empresária provavelmente já vivenciou a experiência do almoço de domingo, onde são discutidos os assuntos da empresa, desde os aspectos estratégicos envolvendo planejamento de longo prazo até questões operacionais do dia a dia. Na ocasião, é comum os familiares “decretarem” a solução para os mais diversos tipos de problemas, acreditando ser o melhor para a empresa ou para si mesmos. Mas quem administra um negócio sabe a dificuldade de manter a organização e o crescimento em um ambiente competitivo. Essa dinâmica familiar pode desencadear problemas administrativos na empresa, principalmente quando o fundador, aquele que mediava os conflitos e dava a palavra final, não está mais presente.

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Conselhos de Família

Tendo em vista a nova realidade, de uma sociedade imposta, como fazer para que a interferência familiar não prejudique a gestão da empresa e passe a contribuir para o seu desenvolvimento saudável?

Para se alcançar esse objetivo a principal ferramenta, sem dúvida, é o diálogo franco e aberto e o estabelecimento claro dos limites e regras de atuação de cada membro da família. Mas para isso é preciso que os membros da família empresária compreendam a necessidade de se organizar de forma profissional para tratar das questões relativas à empresa.

Uma das alternativas é a instituição de um Conselho de Família, que funciona como um fórum de discussão onde são debatidos e administrados os interesses, conflitos e expectativas sobre a gestão atual e o futuro da empresa.

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Os Conselhos de Família podem ser formados por herdeiros e sucessores que tenham cargos funcionais, que sejam apenas acionistas e, ainda, por consultores externos, que atuariam como mediadores de eventuais conflitos. Nesses conselhos são discutidos os assuntos estratégicos da empresa, como por exemplo, a política de destinação de lucros e investimentos. Já os assuntos operacionais, do dia-a-dia, devem ficar a cargo do gestor que terá que prestar contas da sua administração aos demais sócios.

Relações Familiares

As famílias empresárias devem tirar partido da sua condição de intimidade. Se por um lado a emoção que dita o ritmo das relações entre os familiares pode atrapalhar a tomada de decisões de modo racional, por outro, ela permite criar vínculos mais profundos.

O orgulho e o comprometimento com o negócio iniciado pelo fundador e o forte desejo de ampliar o legado deixado são um forte incentivo para que as futuras gerações sigam em frente, apesar das dificuldades.

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Os Conselhos de Família podem ajudar herdeiros e sócios na transição do poder e na construção e manutenção do novo processo decisório, estabelecendo os limites e as atribuições de cada um, adequando melhor a comunicação entre seus membros e estimulando a contínua educação das novas gerações.

(*) Renata Goulart (OAB-RJ 105.534) é advogada, especializada em Planejamento Patrimonial e Sucessório. Para mais informações é possível acessar o site www.goulartadvogadas.adv.br ou enviar e-mail para o seguinte endereço eletrônico: renata@goulartadvogadas.adv.br.