Quem levou a melhor no varejo esportivo: Track&Field ou Grupo SBF?

Companhias apresentaram resultados positivos no 1º tri, com ganhos expressivos mais de um lado do que do outro

Erick Souza

Ativos mencionados na matéria

Loja da Centauro no Bourbon Shopping em São Paulo (Foto: divulgação)
Loja da Centauro no Bourbon Shopping em São Paulo (Foto: divulgação)

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O Grupo SBF (SBFG3) e a Track&Field (TFCO4) divulgaram os balanços do primeiro trimestre de 2026 de suas respectivas companhias. De maneira geral, ambas as empresas tiveram resultados bons, com crescimento de receita e pressão na margem bruta.

O Grupo SBF, dono da rede de varejo esportivo Centauro, teve lucro líquido de R$ 74,2 milhões no período. A Track&Field reportou lucro líquido ajustado de R$ 41,5 milhões, um crescimento de 6,3% em relação ao ano anterior.

De acordo com a XP Investimentos, o Grupo SBF teve melhora na receita e na margem bruta, com resultados acima da expectativa. Mesmo com investimentos mais pesados em SG&A (despesas com vendas, gerais e administrativas), o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) também acabou positivo, 10% acima das expectativas da XP.

A principal surpresa positiva, segundo os analistas do Goldman Sachs, veio da margem bruta. O indicador subiu 110 pontos-base (1,1 ponto percentual) ao ano, revertendo a tendência negativa dos últimos trimestres. Mesmo com forte pressão, em especial do câmbio, o resultado foi mais resiliente do que o esperado tanto na Fisia quanto na Centauro, segundo o banco.

A margem Ebitda (pré-IFRS) caiu 120 pontos-base ao ano, ao mesmo tempo em que o Ebitda absoluto superou as estimativas do consenso.

Embora tenha apresentado uma melhora (e sendo amplamente compensado pelo impacto do incentivo fiscal de ICMS), o câmbio continua sendo um fator negativo para as margens brutas da Fisia, em específico.

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Para o Bradesco BBI, de maneira geral, a avaliação da companhia é neutra em relação ao que já está precificado. Mesmo combinando pontos positivos e negativos, os analistas acreditam que as expectativas formadas desde os resultados do 4T25 já estavam parcialmente refletidas nos números do 1º tri.

Track&Field

A Track&Field também apresentou um sólido crescimento de receita, ligeiramente melhor do que o esperado. De acordo com a XP Investimentos, o crescimento foi um dos mais fortes da sua cobertura.

As vendas líquidas consolidadas tiveram alta de18% na comparação anual, sustentadas pela abertura de lojas (+36 nos últimos doze meses). Além disso, o crescimento sólido de vendas em mesmas lojas (SSS) de 12%, também ajudou nos resultados.

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Ao mesmo tempo, como já era esperado pelos mercados, a companhia também sofreu com uma compressão de margem bruta — um impacto maior que a do Grupo SBF. Esse resultado refletiu uma maior participação de vendas de mercadorias para franqueados.

De acordo com os analistas, o desempenho mais forte de sell-in dentro das vendas totais resultou em pressão na margem, que caiu 120 pontos-base no período. Em comparação com o Grupo SBF, a Track&Field sofreu mais.

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Mesmo com essa pressão, os analistas destacam que o impacto revela uma volatilidade trimestral normal, que não deve mexer com a tese da companhia. Além disso, a XP afirma que esse resultado deve se traduzir em uma participação maior de royalties no 2º tri.