Destaques da Bolsa

Quem esteve por trás da disparada de 12% da B2W hoje?

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta terça-feira

SÃO PAULO – O Ibovespa interrompeu nesta terça-feira (5), em meio à derrocada das commodities. O dia foi de forte queda para as ações da Petrobras, Vale e siderúrgicas, que afundaram até 7% hoje, enquanto as elétricas seguiram em forte movimento de alta. 

Ontem, as ações do setor elétrico dispararam com a notícia de que a chinesa State Grid fechou acordo para comprar fatia de 23,6% da Camargo Corrêa na CPFL Energia. Apesar do setor seguir em alta hoje, os papéis da CPFL, que encerraram ontem com alta de 8,5%, fecharam em queda nesta sessão. 

Fora do Ibovespa, chamou atenção a ação da Óleo e Gás Participações – ex-OGX Petróleo -, que disparou 94% nos últimos dois pregões, renovando hoje máxima desde maio deste ano, após retomada de produção do Campo de Tubarão Martelo. Além dela, a B2W disparou 12% sem motivo aparente, com o Morgan Stanley liderando as compras, intermediando R$ 2,308 milhões (ou 16,6%) das negociações com a ação, seguido pelo UBS, com R$ 2,017 milhões.

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão:

Petrobras (PETR3, R$ 11,34, -5,66%; PETR4, R$ 9,29, -5,88%)
As ações da Petrobras afundaram nesta terça-feira, acompanhando os preços do petróleo no mercado internacional. O contrato Brent registrou queda de 4,2%, a US$ 48,00 o barril, enquanto o WTI caiu 4,88%, a US$ 46,66 o barril. 

No radar da companhia, a Petrobras informou que deu início ao processo de cessão dos direitos de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural de um conjunto de campos em águas rasas, localizados nos estados do Ceará e de Sergipe. Estão sendo oferecidas 9 concessões, cuja produção média de 2015 foi de 13 mil barris diários de óleo equivalente, o que corresponde a 0,5% da produção total da companhia.

De acordo com a companhia, os campos foram agrupados em polos de produção, com instalações integradas, de forma a proporcionar aos novos concessionários plenas condições de operação. A venda será realizada por meio de processo competitivo e a Petrobras avaliará os termos e condições das propostas que venham a ser recebidas.

Além disso, a empresa convocou Assembleia para o dia 4 de agosto sobre reforma do estatuto social. A Assembleia também vai eleger novo membro do conselho indicado pelo acionista controlador. Outro item da pauta é a dispensa de Nelson Luiz Costa, indicado para nova diretoria de estratégia, do período de 6 meses para ocupar cargo em órgão estatutário da Petrobras. Costa foi recentemente presidente da BG América do Sul. Entre os itens de reforma do estatuto, além da inclusão da nova diretoria de estratégia, a proposta inclui retirar da competência individual do presidente os critérios de avaliação técnico-econômicos para os projetos de investimento. 

Vale e siderúrgicas
As ações da Vale (VALE3, R$ 16,06, -5,36%; VALE5, R$ 12,90, -4,52%), Bradespar (BRAP4, R$ 9,10, -4,51%) – holding que detém participação na Vale – e siderúrgicas CSN (CSNA3, R$ 8,61, -7,42%), Gerdau (GGBR4, R$ 6,00, -4,76%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 2,02, -4,27%) e Usiminas (USIM5, R$ 2,03, -4,25%) recuaram nesta sessão, seguindo o pregão negativo dos preços do minério de ferro. A commodity encerrou o pregão em queda de 0,52% no porto de Qingdao, na China, a US$ 55,93 a tonelada.

PUBLICIDADE

Vale mencionar que a Bradespar também detém participação na CPFL e ontem disparou 7%, indo para a máxima desde setembro de 2015, com a notícia de que a chinesa State Grid comprou a fatia da Camargo Corrêa na elétrica ao preço de R$ 25,00 por ação. As ações da CPFL (CPFE3, R$ 22,16, -0,67%), que subiram 8,51% ontem, indo para o maior patamar desde maio de 2012, registrou queda nesta sessão. 

Cesp e Cteep
As ações da Cesp (CESP6, R$ 12,56, +2,03%) e da Transmissão Paulista (TRPL4, R$ 62,93, +0,70%) tiveram a recomendação elevada para overweight (exposição acima da média do mercado) pelo JPMorgan.   

Gol (GOLL4, R$ 3,19, -0,31%)
As ações da Gol fecharam em queda apesar da notícia que o governo pretende apoiar uma iniciativa do Senado (a qual já é discutida no Congresso há algum tempo) para reduzir o custo das empresas aéreas com querosene de aviação, fixando em 12% o teto de ICMS sobre o combustível. Atualmente, 21 estados (além do Distrito Federal), praticam alíquotas superiores a esse percentual, sendo que São Paulo, a praça mais importante de abastecimento das aeronaves, cobra 25%.

O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, reuniu-se nesta manhã com representantes das companhias aéreas e se comprometeu a levar a discussão sobre a alíquota – que está neste momento no Senado – para Temer.

Representantes das companhias aéreas e da Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear) apresentaram ao ministro três demandas: além da mudança do ICMS do combustível, apoio à aprovação de uma nova lei dos aeronautas, em discussão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara e a revisão do Código Brasileiro de Aeronáutica (CBA), que foi debatida em uma comissão especial do Senado.

Segundo o BTG Pactual, a aprovação de tal resolução (que necessita do aval de 2/3 dos senadores) seria bastante positiva para as margens das empresas aéreas, mas para tal seria necessário o suporte dos próprios estados, o que é longe de ser óbvio. Pelo fato do governo estar apoiando a medida, a notícia pode trazer algum momento positivo para Gol, disseram os analistas.

Ultrapar (UGPA3, R$ 69,39, +0,49%)
O Bank of America Merrill Lynch reiterou recomendação de compra para as ações da Ultrapar, mantendo o preço-alvo em R$ 85,00 por papel, após reunião com o CFO da companhia, André Pires. 

Apesar dos ventos contrários que a apreciação do real frente ao dólar pode trazer para os lucros da Oxiteno no curto prazo, os analistas Frank McGann e Vicente Falange Neto, do BofA, comentaram que seguem vendo uma trajetória saudável no negócio da Ultrapar, suportado pelas margens da Ipiranga e Ultragaz. Além disso, a potencial queda da Selic, que pode começar no fim deste ano, deve trazer efeitos positivos para o crescimento do lucro da empresa em 2017, dado que 63% da dívida é atrelada ao CDI. 

Smiles (SMLE3, R$ 46,81, -1,54%)
O banco UBS cortou a recomendação das ações da Smiles hoje de compra para neutra, mas elevou o preço-alvo de R$ 41,60 para R$ 49,40 por papel. Segundo o analista Rogério Araújo, do banco, a revisão ocorre após uma alta de 47% no acumulado deste ano. 

“De acordo com nossos cálculos, o mercado está fixando o preço em uma probabilidade de 25% da companhia aérea GOL cessar operações no País nos próximos anos. No entanto, pelas condições de mercado atual (considerando as estimativas de câmbio, a curva do preço do petróleo e os rendimentos ajustados do 1° trimestre), calcula-se que
GOL queima cerca de R$ 815 milhões por ano, contra uma posição de caixa de R$ 1,4 bilhão (incluindo Smiles). A empresa então precisaria de uma expansão de rendimento de cerca de 16% para chegar ao “break-even” do caixa.

Enquanto isso, o banco manteve a recomendação da Multiplus (MPLU3, R$ 35,71, +1,65%) em neutra, mas também elevou seu preço-alvo de R$ 33,50 para R$ 36,00 por ação. O analista vê uma redução de 10% a 12% na capacidade da Latam no mercado doméstico em 2016 e queda de 35% na capacidade da rota Brasil-Estados Unidos no 2° semestre deste ano.  

Papel e celulose
Saíram nesta terça-feira dados da consultoria Foex mostrando queda dos preços da celulose na China e Europa. Apesar do dia de alta do dólar frente ao real, as ações do setor de papel e celulose fecharam em queda, com Suzano (SUZB5, R$ 12,00, -0,33%), Fibria (FIBR3, R$ 22,44, -2,43%) e Klabin (KLBN11, R$ 16,39, -0,79%).

PUBLICIDADE

Segundo o BTG Pactual, os dados da Foex reiteram que o momento para celulose está desafiador. “A principal preocupação é a duração e o tamanho dessa recuperação, pressionando para novos entrantes em um mercado que ainda nos parece fragilizado”, disseram os analistas.  

Direcional (DIRR3, R$ 5,67, -0,87%)
A companhia anunciou o pagamento de um dividendo adicional de R$ 40 milhões (ou R$0,27 por ação), a ser pago em 60 dias – representando um dividend yield (dividendos sobre o preço da ação) de 4,8%. Segundo o BTG Pactual, a leitura positiva, dado que reforça a visão de que a baixa dívida com forte geração de fluxo de caixa livre irão se traduzir em mais dividendos pela frente. O banco ressaltou que a ação segue como sua top pick do setor.  

Ex-OGX (OGXP3, R$ 6,91, +23,84%)
As ações da Óleo e Gás Participações, ex-OGX Petróleo, dispararam pelo segundo pregão seguido, operando entre leilões, e acumulando no período ganhos de 94%, após a companhia ter informado que recebeu ofício da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) autorizando a retomada imediata da produção do Campo de Tubarão Martelo (“Campo TBMT”), por meio da FPSO OSX-3. “Informam, ainda, que mediante a autorização mencionada acima, a OGX já retornou à operação no Campo TBMT e permanece monitorando o processo, aguardando a estabilização da produção. Com a retomada da produção, os resultados mensais voltarão a ser divulgados ao mercado até o 15º dia do mês subsequente”, disse a empresa.

O volume financeiro movimentado com a ação da ex-OGX também chamou atenção hoje e alcança os R$ 14,424 milhões, contra média diária de R$ 665,9 mil dos últimos 21 pregões. 

B2W (BTOW3, R$ 10,58, +12,55%)
As ações da B2W, que operavam sem grandes oscilações desde o início de maio, quando desabaram 35% em cerca de um mês, renovando no dia 7 de junho mínima desde 
julho de 2013, dispararam nesta sessão, fechando na máxima do dia.

A disparada, que aparentemente não teve um motivo específico, foi puxada pelas compras com a ação intermediadas pelo Morgan Stanley, que encerrou o dia com um volume financeiro de R$ 2,308 milhões (representando 16,60% das operações compradoras com o papel), seguido pelo UBS, com R$ 2,017 milhões (ou 14,30%). Na ponta oposta, o Bank of America Merrill Lynch intermediou as maiores vendas, encerrando com um giro de vendedor de R$ 2,245 milhões (representando uma fatia de 15,83% das negociações vendedoras), seguido pelo Morgan Stanley, com R$ 1,638 milhão (ou 11,70%). 

No radar da empresa, no entanto, nenhuma notícia no radar, apenas um relatório do dia 1° de julho do Brasil Plural, que reiterava recomendação underweight (desempenho abaixo da média) para a ação, mas cortava o preço-alvo de R$ 12,30 para R$ 8,00, citando ainda mais incertezas no case da companhia, em meio ao processo de desaceleração das vendas nas atividades e-commerce no Brasil.

No mesmo relatório, os papéis da Lojas Americanas (LAME4, R$ 17,21, +2,44%) tiveram recomendação reiterada em equal-weight (desempenho em linha com a média), mas preço-alvo elevado de R$ 16,00 para R$ 18,00 por ação. Hoje, as ações da varejista renovaram máxima desde março deste ano. 

PUBLICIDADE