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Quedas das ações da China prejudicam commodities

Ainda que os preços tenham se estabilizado razoavelmente na terça-feira, após a forte queda na segunda-feira, as commodities têm recuado forte neste ano

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A China está novamente no centro da questão nos mercados de commodities, mas agora de uma maneira negativa. A forte queda no mercado de ações do país e os temores ante a crise econômica da Grécia ajudaram as commodities a atingir mínimas em vários anos, sufocando uma nascente recuperação do petróleo e do minério de ferro e puxando para baixo as ações de companhias do setor e também as moedas das nações produtoras.

 

Ainda que os preços tenham se estabilizado razoavelmente na terça-feira, após a forte queda na segunda-feira, as commodities como classe de ativos têm recuado neste ano, com os temores sobre o excesso de produtos como alumínio e carvão pesando. O índice S&P GSCI, que acompanha uma cesta diversificada de commodities, caiu 6,4% neste mês até o fechamento da segunda-feira.

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Uma onda de baixas de três semanas no mercado de ações da China piorou a perspectiva para a segunda maior economia mundial, a maior compradora de produtos que vão do minério de ferro ao carvão, incluindo o cobre e o ouro. As ações chinesas recuaram na terça-feira, apesar de uma série de medidas de Pequim para apoiar o mercado nos últimos dias. A perspectiva de mais problemas na Europa, diante da crise da Grécia, ajuda a puxar os preços das commodities para baixo.

 

O estrategista Osamu Takashima, do Citigroup, afirma que vinham ocorrendo fluxos de fundos de investimento para os mercados de petróleo e outras commodities, mas é possível que esse dinheiro tenha começado a deixar esses mercados, diante da recente queda nas ações chinesas. Os analistas do Barclays dizem que o fluxo de dinheiro em fundos relacionados a commodities começou a desacelerar, após um impulso no início do ano.

 

As moedas de países geralmente vistos como dependentes das exportações de commodities estão em baixa. O dólar australiano e o canadense recuaram cerca de 9% e 7%, respectivamente, ante o dólar neste ano. As ações das mineradoras, mesmo das maiores e geralmente mais resistentes, também sofrem. BHP Billiton e Rio Tinto recuaram para seus níveis mais baixos desde o auge da crise financeira, há seis anos. Fortescue Metals Group, uma empresa bastante endividada e a quarta maior exportadora do mundo de minério de ferro, caiu 28% desde o início de junho, para seu patamar mais baixo desde o início de 2009.

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Na Ásia, os preços baixos da commodities atingem duramente os países produtores, entre eles a Austrália. A Malásia também enfrenta o problema: o país viu suas exportações de gás natural liquefeito recuarem 48% em maio, na comparação anual.

 

Para outros, porém, a queda nos preços das commodities é uma boa notícia. Isso pode reduzir, por exemplo, a pressão sobre as siderúrgicas chinesas. As companhias indianas de tintas também se beneficiam ante a queda no petróleo, uma crucial matéria-prima para o setor.

 

A queda nos preços em si pode, porém, acabar sendo benéfica para uma reação. Com a queda nos preços, as companhias podem, por exemplo, se ver estimuladas a processar mais petróleo, encorajando as compras da China para aumentar seus estoques. Os preços no varejo dos combustíveis recuam, levando ao aumento na demanda por gasolina em mercados importantes como China e Índia. Ainda assim, o mau humor pode demorar a passar, especialmente diante das perspectivas para os mercados na China. “É difícil avaliar se é uma bolha financeira, mas eu acho, normalmente, que uma movimentação do mercado como essa é um precursora de um movimento para baixo na economia.” Fonte: Dow Jones Newswires.