Queda nos mercados pode ainda não estar precificada, analisa Bob Doll

Segundo estrategista da Black Rock, gestora responsável por mais de US$ 3,5 trilhões, o cenário tenso atual poderá pressionar mais os mercados

Publicidade

SÃO PAULO – O estrategista do Black Rock, Bob Doll, diz que o mês de agosto costuma ser calmo para o mercado acionário, mas que neste ano, com tantos fatores globais acontecendo no período, os índices de ação poderão ser ainda mais impactados por conta do turbulento cenário externo.

Entre os fatores, ele cita as dúvidas com relação aos detalhes do programa de compra de títulos do BCE (Banco Central Europeu), mudanças na China, os rumos da economia norte-americana e o encarecimento de alimentos. “Somado, tudo isso pode provocar mais incerteza nos mercados”, prevê o estrategista da gestora responsável por US$ 3,56 trilhões em ativos.

Segundo Doll, um dos fatores que têm segurado mais os mercados são os dados da economia dos EUA, que têm apresentado leve melhora, como as vendas do varejo, que subiram 0,8% na semana passada, o que, segundo ele, foram bem acima das expectativas projetadas.

Para o estrategista, a continuidade de uma trajetória de recuperação da financeira pode ser sustentada se for provada que a economia está resistente a possíveis riscos, como contágio da Europa e aprofundamento maior dos problemas fiscais americanos.

Na semana passada, a consultoria LCA já havia alertado que os Estados Unidos poderão entrar em recessão dentro de três meses.

Mais cedo, o estrategista do banco japonês Nomura, Bob Janjuah, se mostrou mais pessimista com o futuro dos mercados de ações dos Estados Unidos. Ele prevê que, por conta do efeito das eleições presidenciais em novembro, o índice S&P 500 poderá recuar até 25% durante o próximo trimestre, no mesmo dia em que o índice responsável por acompanhar as 500 maiores empresas da bolsa norte-americana bateu seu maior patamar desde 2008.