Queda do risco-país exige aumento das reservas, segundo CSFB

Segundo o CSFB, Brasil precisa de US$ 70 bilhões em suas reservas internacionais líquidas para redução do risco-país

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SÃO PAULO – Há mais de uma semana o risco-Brasil, principal indicador da confiança do investidor externo no país, vem se apresentando abaixo dos 400 pontos. O patamar é considerado favorável para o país, já que o indicador passou dos 2.000 pontos em 2002.

Mas apesar disso, a percepção de muitos analistas é que o Brasil ainda tem muito a melhorar e, para acompanhar os países em desenvolvimento que têm classificação de risco pouco melhor, é necessário aumentar suas reservas internacionais líquidas.

De acordo com o banco de investimento CSFB, o país precisa de reservas internacionais líquidas de aproximadamente US$ 70 bilhões para atingir os indicadores de solvência destes países. Segundo as estimativas do CSFB, as reservas líquidas brasileiras atuais eram de US$ 35 bilhões até 8 de março deste ano.

Melhor cenário externo e maior entrada de capitais

Ao contrário dos que muitos analistas esperavam, nos últimos três meses têm-se observado uma elevada entrada de dólares no país, fato que favoreceu a apreciação do real nos últimos meses. Desta maneira, diante de um cenário favorável de entrada de capitais no país, o Banco Central (BC) retomou a compra de dólares no mercado interno com o objetivo de recompor as reservas internacionais.

Segundo os analistas do CSFB, o BC comprou aproximadamente US$ 11 bilhões no mercado de dólar à vista, entre dezembro de 2004 e 8 de março deste ano. A média mensal das intervenções foi superior a US$ 3,2 bilhões, com pico em fevereiro, com US$ 4,6 bilhões. Porém, para que o país atinja o patamar julgado necessário pelos analistas o processo de recomposição as reservas deve ser mantido por muitos meses ou até mesmo anos dependendo do ritmo de compras do BC.

Recomposição de reservas deve se alongar

Neste sentido, se a autoridade monetária mantiver o ritmo de compra de dólares observado em fevereiro, apenas 10 meses seria necessário para que o país atingisse um nível seguro de reservas internacionais.

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Porém, uma avaliação mais conservadora, com base na média de comprar entre dezembro e janeiro últimos, onde a média foi de US$ 2,6 bilhões, exigiria um prazo de 18 meses para que as reservas atingissem US$ 70 bilhões.

Já uma avaliação baseada na média de compras de dólares entre janeiro de 2004 e fevereiro de 2005, com compras mensais de US$ 900 milhões, indica que a recomposição de reservas deveria permanecer até depois de 2008.

Expectativas

Contudo, os analistas julgam ser pouco provável que as condições favoráveis atuais para mercados emergentes como o brasileiro perdurem por um período tão longo quanto o necessário, fato que pode prejudicar o processo recomposição das reservas internacionais.

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Em função disso, as projeções do banco são de que as reservas devem alcançar US$ 40 bilhões ao final do 2005 e US$ 46 bilhões ao final de 2006. Porém, o CSFB reitera a necessidade do BC de aproveitar as condições atuais para recompor ao máximo suas reservas internacionais.

Impactos na inflação

Contudo, apesar da necessidade de elevação das reservas internacionais do país, o processo de compra de dólares no mercado interno pode aumentar substancialmente o risco de depreciação do real, dificultando ainda mais a convergência da inflação para suas metas.

Desta maneira, o Banco Central tende a reduzir o ritmo de compra de dólares, caso a taxa de câmbio atinja o patamar de R$ 2,70 (como ocorreu durante esta semana), porém, considerando uma taxa de cambio estável em R$ 2,80 por dólar a partir do segundo trimestre, os analistas do CSFB projetam que a inflação medida pelo IPCA ficará próxima a 6,0%, acima da meta de 5,1% definida pelo Conselho Monetário Nacional.

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Além disso, os analistas acreditam que o BC deve interromper o processo de recomposição de reservas caso a taxa de cambio de aproxime de R$ 3,0 por dólar nos próximos meses. Desta maneira, a continuidade do aumento das reservas entraria em conflito com as decisões tomadas para convergir a inflação para suas metas, acarretando, provavelmente, num grau maior de aperto monetário, de acordo com os analistas.