Queda do poder aquisitivo do consumidor, pode prejudicar recuperação do Japão

Analistas já estudam corte nas projeções de crescimento para 2006 e 2007; impostos e contribuições são maiores vilões

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SÃO PAULO – Muitos analistas econômicos já anunciaram que pretendem rever suas previsões sobre a economia japonesa para os anos fiscais de 2006 e 2007. A decisão reflete a previsão de que as recentes medidas adotadas pelo governo japonês no sentido de reduzir o endividamento do governo devem acabar prejudicando de maneira substancial o poder aquisitivo do consumidor japonês.

Dados do próprio gabinete de governo apontam para uma queda desde 2001 de 20 mil ienes na renda disponível das famílias japonesas. Em 2004 a renda média dessas famílias foi de 444,966 mil ienes frente a 464,9 mil em 2001.

Maior carga tributária

A decisão do governo de cortar pela metade as deduções permitidas para fins de imposto de renda, que a partir de janeiro de 2006 serão de 145 mil ienes por pessoa, assim como aumentar, ainda que gradualmente, o volume de contribuições para a Previdência Social – que devem subir de 13.300 ienes por mês para 16.900 ienes por mês até 2017, deve compromete ainda mais o poder aquisitivo das famílias japonesas.

Atualmente, os economistas projetam um crescimento ao redor de 1% para 2005 e de 2% e 2,5% para 2006 e 2007. Porém, a vulnerabilidade da economia japonesa, que ainda não deu sinais claros de recuperação, e cujo crescimento dos últimos três anos foi, em grande parte, sustentado pela forte expansão das exportações, deve levar a uma revisão significativa dessas projeções. Entre julho e setembro do ano passado as exportações japonesas teriam crescido em seu ritmo mais lento dos últimos 12 meses, sugerindo que o crescimento estaria perdendo fôlego.