Queda do juro não resolverá problema do déficit habitacional

Segundo a ABMH, barateamento do crédito beneficiará uma pequena parcela da população que ganha acima de R$ 3,9 mil

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SÃO PAULO – Mesmo com a queda de 10,16% para 8,66% do juro anual para financiamento imobiliário, anunciada na última segunda-feira (07) pela Caixa Econômica Federal, ainda haverá um rombo na abrangência do benefício e o problema da falta de moradias no País não deve ser resolvido. Na opinião do diretor da Associação Brasileira dos Mutuários em Habitação (ABMH), José Geraldo Tardin, a modificação exclui uma parcela muito grande da população brasileira.

“O déficit habitacional do país é de oito milhões de imóveis e 97% das pessoas que compõem esse déficit ganham até cinco salários mínimos (atuais R$ 1.900) e essa redução de juros não atenderá essas pessoas”, disse, em entrevista à Rádio Nacional.

Custo do crédito

Conforme o Conselho Curador do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), o novo custo do crédito valerá para as famílias com renda mensal de R$ 3,9 mil a R$ 4,9 mil, e que utilizarem recursos do FGTS para uma parte da compra. Vale lembrar que as percentagens serão acrescidas da variação referente à Taxa Referencial do período de 12 meses.

Tardin considerou como boa essa nova redução, mas atentou para o fato de que, quando quita completamente o crédito imobiliário, o consumidor pagou até três vezes mais pelo imóvel. Na visão do diretor, falta uma política habitacional de acesso a casa própria para o País, o que não ocorre desde a extinção do Banco Nacional de Habitação (BNH) em 1988.

Dessa maneira, uma solução seria a queda drástica dos juros, aumento do prazo dos contratos e desoneração da carga tributária sobre os materiais de construção e a construção civil.

Dicas

Àqueles que tentarão um financiamento, o especialista deixa algumas dicas: não se comprometa a pagar parcelas que representem mais do que 30% da renda mensal. Em seis mil processos analisados, as pessoas que agiram desse modo perderam seus imóveis em cinco anos.

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“Não é que prestação aumenta, ela é sempre decrescente, mas o que reduz em cinco anos é insignificante. Passado esse período a renda da pessoa já estará comprometida em 50%, e o mutuário não conseguirá viver com metade de seu salário”, justificou.

“É ilusão pensar que quem paga R$ 1 mil de aluguel pode pagar uma prestação de igual valor, pois se houver comprometimento da renda o locatário pode migrar para um aluguel de R$ 500, já o mutuário não poderá migrar para uma prestação de R$ 500”, concluiu.