Queda de commodities reflete projeção menor para crescimento econômico

Analistas dizem que mercado incorpora maior aperto monetário, menor demanda da China e valorização do dólar

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SÃO PAULO – O preço das commodities voltou a cair nas últimas sessões. Segundo economistas e agentes do mercado, o movimento ocorre depois que o mercado se deu conta de que a demanda deve ser reduzida, diante de um crescimento econômico menos robusto do que se imaginava.

De acordo com o economista da LCA, Homero Guizzo, ao longo do ano passado, quando estava mais claro um cenário de recuperação da economia mundial após a crise de 2008, a confiança em relação à demanda subiu junto com os preços das commodities. “Ao longo deste ano, elas vão ter desempenho mais fraco”, afirmou ele.

Guizzo acredita que este movimento de queda de preços já é uma antecipação do que deve ocorrer no segundo semestre deste ano, quando se aguarda uma mudança na política monetária mundial. Em sua opinião, o ajuste tem fundamentos, mas ele pondera que “em geral, a especulação pode exacerbar o movimento que os fundamentos mostram”.

O economista do UBS, Paul Donovan, acredita que este ajuste das commodities se dá por meio de um despertar dos investidores. “O mercado de commodities parece ter acordado para o fato de que a recuperação das economias não será tão robusta quanto se esperava. Mais uma vez, a sabedoria de ouvir os economistas foi enfatizada”, disse.

Pressões para a queda
O operador da Souza Barros, Hélio Garcia, afirmou que a queda das commodities reflete o movimento de aumento da taxa básica de juro em países centrais e emergentes, como forma de combater a inflação, movimento que também faz subir o dólar, moeda na qual são cotadas as commodities.

“Para ajudar tudo isso, nós tivemos a China soltando dados de importação muito abaixo do esperado. Ela tem deixado de comprar commodities por um bom tempo, para segurar a inflação lá, tiveram até de vender estoques locais. Com alta de juro, China importando menos, dólar para cima e inflação mundial, tem de segurar os preços”, considerou Garcia.

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Além destes fatores, ele cita os fundos de commodities, compostos com o objetivo de ter uma rentabilidade maior do que os títulos norte-americanos. “Os fundos, pensando na inflação, compram e fazem o preço das commodities subir. Eles que estavam alimentando uma bolha de commodities. Com alta dos juros, eles começam a realizar”, explicou.

No entanto, o operador disse que não acredita que a queda nas commodities seja definitiva, portanto os preços devem voltar a subir.