Queda de commodities e menor expansão econômica afetam emergentes

Para analistas do Lehman Brothers, esses dois temas estão começando a dominar a pauta, de maneira preocupante

Publicidade

SÃO PAULO – Os dados divulgados nesta sessão sobre o sexto aumento consecutivo no desemprego britânico e a estagnação da produção industrial da zona do euro aumentaram os temores relativos à possibilidade de uma recessão na região. Nos EUA, o pessimismo aumenta à medida que são anunciados novos indicadores e os antigos são revisados.

No meio disso, a boa notícia era a hipótese de descolamento dos mercados emergentes, que continuariam mostrando crescimento robusto e que sustentariam a expansão da economia global. Contudo, a história real é um pouco diversa: dados vindos da China e da Europa Oriental sobre atividade industrial e de manufatura mostram contração preocupante.

De acordo com relatório do Lehman Brothers, são fortes as evidências de que o crescimento nos mercados emergentes está desacelerando, baseadas principalmente no enfraquecimento do setor manufatureiro. O banco afirma que o sentimento é geral, embora haja exceções, como é o caso do Brasil.

Queda das commodities

Se a desaceleração do crescimento é um ponto de importância crescente nos mercados emergentes, assim também é a queda das commodities. Em princípio, a correção nos preços desses produtos poderia ter grande impacto nos países em desenvolvimento.

“Primeiro, a queda nos preços das commodities poderia elevar o apetite por risco – a redução da inflação total poderia liberar os bancos centrais do G10 para flexibilizarem a política monetária caso seja necessário”, aponta o Lehman.

Em segundo e terceiro lugares, os analistas prevêem a possibilidade da queda no preço do petróleo, em conjunto com desaceleração da economia global. Isso provocaria um rali nos mercados de juro do G10 (com exceção dos EUA) e de emergentes, além da mudança na alocação dos investimentos relativos às commodities.

Continua depois da publicidade

Aumento do carry

Diante desses fatores, a boa performance dos carry trades pode ser explicada de forma lógica: a queda no preço das commodities alivia os temores relativos à inflação, abrindo espaço para maiores cortes nos juros básicos dos bancos centrais de países do G10. Esse cenário é favorável às operações de carry trade pois aumenta o diferencial entre as taxas básicas de juros dos países e injeta liquidez no sistema financeiro.

Porém, os analistas do Lehman Brothers guardam ressalvas em relação a essa boa performance. Primeiramente, porque “é importante como a queda das commodities é alcançada – é difícil entender porque o apetite ao risco deva melhorar quando uma brusca desaceleração do crescimento está causando o declínio”.

Em segundo, o banco lista o fato de que os valuations do carry trade não suportam apreciação significativa no médio e longo prazo. Por fim, é válido ressaltar que o mercado de commodities ainda não entrou em colapso. Os analistas lembram que o preço do petróleo está praticamente no mesmo nível que estava há três meses, o que não indica quebra nem tendência de queda.