Queda da Selic torna crédito imobiliário com recursos da poupança menos atrativo

De acordo com analista da Tendências, alteração na poupança proposta pelo governo não resolve esse problema

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SÃO PAULO – Ao tentar resolver a questão da migração dos investidores de fundos para a poupança, dos ataques especulativos às cadernetas e dos impedimentos à queda da taxa Selic, o governo corre o risco de encarecer o crédito imobiliário do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos), que pode perder mutuários.

De acordo com a analista da Tendências Consultoria Integrada, Amaryllis Romano, o governo pensou em um problema estrutural associado aos rendimentos fixos da poupança, que surge de um cenário inédito de taxas de juros historicamente baixas e com perspectiva de quedas para os próximos meses.

Com isso, de acordo com a analista, surge um outro problema que é o encarecimento dos recursos da poupança usados em financiamento habitacional. “Frente ao cenário desenhado, há grande chance de este vir a se tornar um dos financiamentos de longo prazo mais caros do País, prejudicando os mutuários e acabando com toda a expectativa positiva para o setor”, disse.

Poupança e crédito imobiliário

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Atualmente, 65% dos saldos da poupança são destinados ao financiamento habitacional, emprestados ao mutuário a uma taxa máxima de TR (taxa referencial) mais 12%. Além desse teto, existe um piso de juros a serem cobrados, que é dado pelo custo da captação dos recursos ou a remuneração da poupança.

“Ao manter essa remuneração elevada, principalmente sua componente fixa de 6% ao ano, o governo pode estar engessando o SBPE e perpetuando um custo elevado para os financiamentos imobiliários, o que vai de encontro ao acertado lançamento do programa Minha Casa, Minha Vida”.

Amaryllis afirma que isso faz crer que o governo estaria “colocando na mesa” o fim do crédito direcionado, já que os financiamentos com recursos livres ficariam mais baratos do que os do SBPE, promovendo uma migração.

Mudança

Na quarta-feira (13), o governo anunciou que, se a taxa Selic permanecer em um patamar abaixo de 10,5% ao ano, em 2010 já será cobrado Imposto de Renda de cadernetas de poupança com saldo acima de R$ 50 mil. O percentual de rendimento a ser tributado irá depender da taxa básica de juro, ou seja, quanto menor a taxa, maior o percentual a ser tributado.

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou que, até o final de maio, a regulamentação das novas medidas da caderneta de poupança deve ser encaminhada ao Congresso Nacional.

Ela ainda afirmou, sem dar detalhes, que o governo irá fazer uma campanha de esclarecimento à população sobre as novas medidas.

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