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O que mudou no operacional de André Bertuzzo após se expor no Conselho Trader

Exposição, autocrítica e foco marcaram uma fase de ajustes que redefiniu a relação de André Bertuzzo com o risco e a tomada de decisão

Bruno Nadai

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Expor fragilidades no mercado financeiro não é comum, especialmente entre traders. Ainda assim, foi exatamente esse movimento que marcou a trajetória recente de André Bertuzzo.

A experiência não trouxe promessas de ganhos imediatos, mas ele colocou seu operacional, suas crenças e seu comportamento sob análise direta de especialistas, em um processo que acelerou aprendizados e trouxe mudanças profundas na forma de operar.

Esse movimento ganha novos contornos na 3° parte do programa O Conselho Trader, no canal GainCast, quando Bertuzzo revisita os impactos práticos e emocionais da experiência. A proposta não foi mostrar resultado imediato, mas sim revelar o processo, os ajustes e a construção de longo prazo que o day trade exige.

Auditoria antes da busca por resultado

Bertuzzo deixa claro que a maior mudança não aconteceu no resultado financeiro, mas no processo. Antes de pensar em performance, foi necessário olhar para dentro do próprio operacional e reconhecer falhas estruturais. Esse diagnóstico trouxe consciência não apenas do que estava errado, mas da dimensão dos erros acumulados ao longo do tempo.

Ao mesmo tempo, a auditoria ajudou a separar o que é mercado do que é ruído emocional, criando um ambiente mais limpo para a tomada de decisão. “Primeira mudança foi a auditoria. Foi descobrir não só o que eu vinha fazendo de errado, mas o que eu vinha fazendo de muito errado”, afirma.

Além disso, ele reforça que o day trade exige paciência e visão de continuidade. Mesmo sendo uma atividade intradiária, os ajustes não se traduzem em viradas instantâneas. Pelo contrário, a assimilação ocorre aos poucos, à medida que o trader internaliza regras, reduz excessos e aprende a respeitar o próprio processo.

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Nesse contexto, o resultado deixa de ser o objetivo imediato e passa a ser consequência da disciplina aplicada no dia a dia. “O resultado mudou? Não, é cedo ainda. Day trade, apesar de ser day trade, é longo prazo”, observa.

Leia também: “Técnica é só 30%”: como um trader virou o jogo após perder o controle

Menos ego, mais especialização

Ele reconhece que a exposição pública exigiu abrir mão de vaidade e de certezas mal fundamentadas. Para ele, o programa funcionou como uma provocação inédita, que escancarou um traço comum a muitos traders: a soberba alimentada por atalhos, indicadores isolados e promessas fáceis.

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Ao se livrar dessas crenças, tornou-se possível ouvir, absorver e mudar. “O trader, ele tem uma soberba, ele tem uma arrogância. A hora que eu simplesmente me despi de qualquer conceito que eu achava que eu tinha, que eu sabia, ficou muito mais fácil”, explica.

Esse processo levou a uma decisão prática: abandonar a dispersão. Embora continue acompanhando o dólar por meio de automação, Bertuzzo optou por concentrar estudo e execução manual no índice.

A escolha reflete a compreensão de que foco e profundidade aumentam consistência, enquanto operar múltiplos ativos tende a diluir atenção e energia. “Hoje eu tenho automação para operar dólar, e o meu foco de estudo e operação manual é 100% no índice”, observa.

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Leia mais: “Conselho Trader” expõe os erros que impedem Bertuzzo de avançar no day trade

Day trade é construção, não imediatismo

Por fim, nesse processo, Bertuzzo destaca que o maior aprendizado foi entender o day trade como uma jornada de construção contínua. Ajustes de mão, refinamento da exposição e melhora na condução dos trades passaram a substituir a tentativa de extrair do mercado aquilo que ele desejava.

Ao aceitar o que o mercado oferece, o trader passa a operar com menos frustração e mais coerência. “Eu parei de querer extrair do mercado o que eu queria, e passei a coletar do mercado o que ele está me dando”, afirma.

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Esse amadurecimento também transbordou para fora do mercado. O impacto emocional da experiência, especialmente ao ver a reação da família, redefiniu limites e prioridades.

A partir disso, Bertuzzo afirma ter assumido um compromisso pessoal de não repetir ciclos de fúria que comprometem não apenas o operacional, mas a vida como um todo. “Devido à reação da minha esposa, eu não tenho mais o direito de ter um dia de fúria”, conclui.

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