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Que comece a batalha: Krugman contra as medidas de austeridade

O economista Paul Krugman tem muitos inimigos e passou por muitas batalhas contra os "austerians"

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(SÃO PAULO) – Desde a crise financeira, o vencedor do prêmio Nobel de economia e colunista do New York Times Paul Krugman devotou nada menos que 74 colunas e postagens em blogs ao que ele chama de “austerians” – apoiadores de cortes de orçamento do governo norte-americano em resposta à recessão.

Quaisquer ajustes fiscais que a maior parte das economias desenvolvidas necessita são de longo prazo, enquanto medidas de austeridade são de curto prazo, ele diz. Krugman também foi atrás de banqueiros centrais que eram muito lentos em baixar taxas em resposta à crise e depois muito rápidos em aumentar as mesmas taxas durante a recuperação, chamando-os de “sadomonetaristas” que gostavam de incitar o sofrimento econômico. Krugman adquiriu críticos poderosos à esquerda e à direita, os quais o acusavam de tudo, desde desonestidade intelectual até ingenuidade política.

Krugman acusa o banco suíço Riskbank de “sadomonetarismo” – aumentando taxas em 2010 e 2011 em um momento em que, ainda que a economia estivesse crescendo, o desemprego permanecia alto e a inflação baixa. Fazer isso, ele disse, era arriscar transformar o país (a estrela da recuperação) em um outro Japão, preso em estagnação e deflação.

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O vice-governador do Riskbank Per Jansson perguntou “ele já analisou os dados alguma vez?”. O banco central, ele diz, agiu em face de um PIB de crescimento ráido. No fim, o banco entrou em retração completa, com taxas abaixo de zero e comprando bonds do governo para baixar taxas de longo prazo e reviver a inflação.

No londrino Guardian, no dia 6 de janeiro, o professor da Columbia University Jeffrey Sachs critica Krugman: “nenhum de seus comentários no New York Times no primeiro semestre de 2013, quando o corte de dívidas “austerian” estava gerando frutos, prevê uma grande redução no desemprego ou que o crescimento econômico se recuperaria. Mesmo assim ele agora diz que tudo ocorreu exatamente como ele previa”. Krugman retruca: “eu estava aplicando conceitos básicos de macroeconomia. Se você acha que eu fui escorregadio ou desonesto, você quase com certeza está sofrendo de uma falha de compreensão na sua leitura”.

Em dezembro de 2013, Krugman compara as medidas de austeridade chanceler de finanças do Reino Unido, George Osborne, a uma rotina de três passos: atirar a economia contra uma parede repetidamente para que as pessoas se sintam melhores quando os mercados responderem bem à austeridade. A resposta foi que Krugman está sendo politicamente ingênuo: “um governo só pode forçar medidas impopulares nos primeiros dois anos de seu mandato”. E Krugman diz: “eu sou politicamente ingênuo? Talvez, mas não entendo como isso contradiz a economia”.

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Krugman ataca a Alemanha por grandes excedentes comerciais, particularmente com seus vizinhos do sul da Europa, “prejudicando o crescimento e a empregabilidade mundiais”. George Erber, do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica, diz que Krugman está simplesmente errado. Sua própria pesquisa demonstra que os excedentes da Alemanha não foram resultado da política do governo, mas sim de exportações a economias emergentes, como a Turquia e a Índia, e não vizinhos europeus.

Benn Steil, economista no Conselho de Relações Exteriores em Nova York, acusa Krugman de usar dados enganosos. Ao examinar dados que Krugman usou para mostrar que a Islândia, que possui uma política monetária independente, superou economias dos bálcãs que, como membros da zona do euro, não, Steil diz que o argumento de Krugman começa a se desfazer se a data de início for movida apenas três meses para frente ou para trás. “Ele foi bastante específico na escolha dos dados”, Steil diz. Krugman, que dis que selecionou o quarto trimestre de 2007 como base porque foi quando começou a recessão norte-americana, retruca: “eu faço dois ou três posts em blogs por dia. Não tenho tempo para falar de coisas tão específicas!” Ele muda sua postura quando percebe que é “problemática”.

Krugman se declara vitorioso nessa batalha. Em um longo artigo no Guardian do dia 27 de abril, ele escreve: “a ideologia de austeridade que dominou o discurso elitista cinco anos atrás foi destruída”. Alguns dias depois, os “austerians” tiveram motivos para atacar também: eles veem a vitória do partido conservador do primeiro ministro David Cameron nas eleições de 7 de maio no Reino Unido como uma justificação do programa de austeridade de Osborne.

Reportagem de Jeremy Kahn

Traduzido por Paula Zogbi

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