Economia errada

Quantitative Easing e juros negativos são esquema Ponzi, diz CEO do Saxo Bank

“As taxas negativas são um problema em todos os lugares e isto é punir as pessoas com dinheiro sem uma boa estrutura de incentivos”, afirmou

Por  Rodrigo Tolotti

SÃO PAULO – Os bancos centrais de todo o mundo estão fazendo nada menos do que um “esquema Ponzi” ao imprimir quantidades infinitas de dinheiro e cortar as taxas de juro para valores negativos como forma de estimular o crescimento. Isto é o que afirmou o CEO do Saxo Bank, Kim Fournais, em entrevista para a CNBC nesta quinta-feira (15).

“Não há nenhum desejo real para fazer as reformas”, disse. “A verdadeira questão aqui é que não há crescimento. O Banco Central dinamarquês foi reduzindo suas projeções três vezes seguidas, a mais recente na quarta-feira. E você não vê uma economia vibrante”, afirmou Fournais no canal americano.

Esta semana, o BC da Dinamarca projetou um crescimento de 0,9% da economia este ano, uma redução sobre o 1% anterior. Isso se junta ao fato do país ter adotado juros negativos uma década atrás tentando estimular o crescimento da economia e aumentar a inflação. “As taxas negativas são um problema em todos os lugares e isto é punir as pessoas com dinheiro sem uma boa estrutura de incentivos”, afirmou o CEO do Saxo Bank.

E este cenário, segundo uma pesquisa da Associação dos bancos hipotecários dinamarqueses, mostra que taxas negativas criam uma grande incerteza. “Taxas de juros negativas representam um território desconhecido e apresentam alguns desafios para várias partes da sociedade e da economia, principalmente devido ao fato de que, até recentemente, um cenário de juros negativos não era parte do discurso dominante”, diz.

Fournais disse à CNBC que se preocupa muito com este ambiente. “Há muitas regras, a burocracia e os impostos são bastante elevados e eu acho que é uma situação bastante anêmica em que estamos”, afirmou acrescentando que os governos não deixaram os bancos centrais injetarem dinheiro no mundo porque há incapacidade entre os políticos para ver o que é necessário.

“Se isso não vai mudar, e nós vimos o que aconteceu na Grécia ou em locais onde os mercados de capitais estão perdendo a confiança, então é tarde demais para reformas e isto vai acabar em uma espiral descendente”, completou.

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