Quando diretores e membros do conselho vendem ações, é hora de seguir?

Isso chega a assustar o investidor, que tem, como primeira reação, acreditar que isso é um movimento extremamente negativo

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SÃO PAULO – Dezembro foi um mês com forte atividade vendedora entre diretores, membros do conselho de administração e controladores de empresas listadas na BM&FBovespa. Pessoas de dentro de MPX Energia (MPXE3), Pão de Açúcar (PCAR4) e Localiza (RENT3) se desfizeram de parte de suas ações. 

Isso chega a assustar o investidor, que tem, como primeira reação, acreditar que isso é um movimento extremamente negativo. “Não deixa de ser uma notícia ruim, mas não dá para tirar uma conclusão desse fato”, afirma Carlos Müller, analista-chefe da Geral Investimentos.

Müller acredita que é possível fazer inferências, de que se as pessoas da própria empresa estão se desfazendo de suas posições algo de ruim pode acontecer, mas que é preciso olhar para muitos outros fatores antes de chegar a uma conclusão. “Pode ser uma simples bonificação, que o diretor resolveu transformar em dinheiro”, salienta. 

Henri Evrard, analista da Infinity Asset, concorda. “Uma notícia dessas não me dá medo, como investidor, pode ser uma infinidade de motivos, e nem sempre relacionados com a empresa, já que a venda pode ter ocorrido por um motivo pessoal”, afirma, chamando a atenção para a necessidade de cada pessoa de cumprir com suas obrigações financeiras, principalmente no final de ano, na proximidade das férias e festas de final de ano.

Cada caso precisa ser avaliado
O Pão de Açúcar é o caso mais fácil de entender. Abílio Diniz, antigo controlador, optou por vender mais de R$ 150 milhões em ações – e poderá vender mais R$ 900 milhões – para deixar de ser sócio do grupo, depois de uma extensiva briga com o grupo francês Casino, que é o novo controlador da maior rede varejista do Brasil.

Isso não mostra que a situação da empresa é ruim – já que não aponta para o surgimento de uma crise, e sim para a solução de uma outra -, mas pode causar um excesso de ações circulando no mercado, o que pode derrubar a cotação. Mais preocupante é a situação da Localiza, com a venda vindo de diversos membros – embora os motivos ainda não sejam conhecidos do mercado. 

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A situação da MPX também chama a atenção, já que a empresa passsa por um momento complicado – o que pode fazer o investidor imaginar, entre outros motivos, que se trate de um caso de insider trading. Embora o valor seja muito baixo, R$ 3,5 milhões, e a posição de cada grupo não tenha se alterado, é o suficente para acender a luz amarela em muitos investidores. “Mas a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) investiga esses movimentos, para saber se tem algo ilegal ocorrendo”, avisa Müller. 

Não há regras
Se o caso pode ser uma simples bonificação através de ações, que estão sendo transformadas em dinheiro, Evrard acredita que é impossível o investidor criar alguma condicional referente à isso: não há como balizar as suas próprias decisões nas decisões de outros. “Tem que ficar de olho nos fundamentos da empresa, que aí não faz diferença se alguém está comprando ou vendendo”, afirma. 

Para ele não é isso que joga cautela sobre o possível movimento das ações. “Sempre tem que estar com a luz amarela ligada, o mercado está sempre cheio de surpresas que podem aparecer derepente”, afirma Evrard.

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A percepção é que a venda de uma ação boa é um movimento ilógico – e isso que faz o investidor ficar preocupado, já que se os diretores não acreditam no papel, quem vai? “Se você acredita muito em uma ação, e não tem necessidade de liquidez, em vez de vender o que você faz é comprar mais”, finaliza Müller.