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A temporada de resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26) terminou na Bolsa brasileira e trouxe diferentes leituras dos analistas de mercado. Num primeiro momento, os números parecem sólidos, mas uma análise mais detida pode evidenciar algumas fraquezas em setores que sofrem com juros elevados e ambiente de custos pressionados.
Para o Bradesco BBI, os dados no país foram mais fracos do que parecem, já que os setores de energia e materiais básicos mascararam resultados abaixo do esperado em 76% das ações domésticas do MSCI Brazil mais Mercado Livre (BDR: MELI34).
O Bank of America ressalta que o Ibovespa ex‑commodities entregou um crescimento ano a ano de Receita/Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações)/lucro por ação de 9%/17%/8% no 1T26 (contra 7%/15%/4% do 1T25). O Ibovespa consolidado (incluindo nomes domésticos e exportadoras de commodities) registrou crescimento anual de 7%/10%/3% (ante 6%/11%/12%). A razão “beat/miss” (que indica a relação entre resultados que superaram as expectativas ante os que decepcionaram) teve forte recuo, de 2,8 vezes em 4T25 para 0,9 vez no 1T26, o menor nível desde o 2T23. O setor industrial concentrou a maior parte dos “misses”, enquanto utilities lideraram os “beat”.
O Itaú BBA também aponta uma temporada mista, ressaltando que a razão “beat/miss” ficou em 1,25, ou 0,97 ponderada por market cap (capitalização de mercado). Para a equipe de estratégia, as reações dos analistas foram enviesadas para o lado negativo: 34% de avaliações positivas versus 44,7% negativas (ponderado por valor de mercado), um dos perfis de reação mais fracos desde 2024. Apenas 51,8% das empresas apresentaram crescimento de lucro líquido ano contra ano.
Para o BTG Pactual, à primeira vista, os resultados, excluindo os números de Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3), parecem sólidos: a receita, o Ebitda e o lucro líquido ficaram 1,0%, 0,3% e 1,6% acima das suas previsões, respectivamente. Entre as empresas domésticas, as receitas superaram as estimativas em 2,4%, embora o Ebitda e o lucro líquido tenham ficado 1,2% e 2,0% abaixo de suas projeções.
Os lucros das empresas nacionais, por sua vez, continuaram sob pressão em um cenário de taxas de juros ainda elevadas.
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Na comparação anual, os resultados excluindo a Petrobras e a Vale aceleraram em relação ao desempenho do 4T25, com receitas crescendo 8,9% e Ebitda 13,8%, comparados a um crescimento de 5,4% para ambas as linhas no trimestre anterior. O lucro líquido também melhorou, subindo 7,7% ano a ano, após uma queda de 6,4% no 4T25.
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As empresas de commodities foram o principal impulsionador do crescimento do lucro, com o lucro líquido subindo 41,7% anualmente, apoiado principalmente pelo setor de Petróleo & Gás, que se beneficiou de um ambiente de preços mais altos do Brent, e pelo setor de Materiais Básicos. Entre as empresas domésticas, as receitas cresceram 6,5% ano a ano e o Ebitda expandiu-se 10,6%, enquanto o lucro líquido ficou praticamente estável (-0,4% anualmente).
“A temporada de resultados do primeiro trimestre de 2026 foi típica de um período ainda desafiador: alta seletividade, com bons nomes brilhando e outros sofrendo com o ambiente de juros elevados, custos pressionados e consumo cauteloso. No geral, houve mais dispersão do que uniformidade, o que reforça a visão de que o momento atual premia qualidade operacional, geração de caixa e disciplina financeira acima de tudo”, avalia Gabriel Uarian, analista-chefe da Cultura Capital.
André Matos, CEO da MA7 Negócios, ressalta que a temporada mostrou um mercado bastante dividido no Brasil. Do lado positivo, setores mais defensivos, como bancos, energia e utilities, entregando resultados sólidos, com boa geração de caixa e maior resiliência mesmo em um ambiente de juros ainda elevados. Algumas companhias ligadas ao consumo também começaram a mostrar recuperação gradual de margem com melhora operacional.
Por outro lado, os destaques negativos ficaram concentrados em empresas mais alavancadas e sensíveis ao custo de capital, especialmente varejo, construção e segmentos dependentes de crédito, que continuam pressionados por juros altos, inadimplência e crescimento mais moderado da economia.
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Destaques setoriais
Na visão do Bank of America, a expansão do lucro por ação foi majoritariamente impulsionada por Distribuição de Combustíveis, Instituições Financeiras e Utilities. Já as distribuidoras de combustíveis se destacaram com margens fortes, apoiadas por um fornecimento mais barato vindo da Petrobras (PETR4), em meio a um amplo diferencial de preço de importação.
Para o setor financeiro, os grandes bancos privados continuaram a entregar forte crescimento de receitas e disciplina de custos (Banco do Brasil foi a exceção). Em utilities, a empresa que mais contribuiu foi a Axia (AXIA3), apoiada por preços mais altos de energia e menores custos de energia, combustível e transporte.
Já os setores ligados ao consumo apresentaram, em geral, resultados fracos no 1T26. Para o varejo, os segmentos de consumo discricionário sofreram com crescimento modesto de vendas, pressão de margens e maiores despesas financeiras. No setor de consumo básico: Minerva, Camil e M. Dias Branco registraram menores volumes no trimestre. Setor automotivo: permaneceu fraco, com demanda contida e atividade de caminhões morna, pressionando receitas.
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Confira a visão por setor:
Alimentos e Bebidas
Para o BofA, os resultados do setor foram fracos. A JBS (BDR: JBSS32) não atingiu as expectativas devido aos custos mais altos do gado nos EUA e na Austrália, e aos resultados mais fracos em PPC (Pilgrim’s Pride Corporation, subsidiária da JBS nos EUA).
A AmBev (ABEV3) superou as expectativas, impulsionada por volumes e margens mais fortes na maioria das divisões, exceto na CAC (América Central e Caribe). Para Uarian, da Cultura Capial, a Ambev foi um dos destaques claros: volumes de cerveja no Brasil acima do esperado, Ebitda crescendo e reação positiva das ações.
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A MBRF, aponta o BofA, apresentou resultados em linha com as expectativas, com preços favoráveis de proteínas e impostos mais baixos parcialmente compensados por um real mais forte e volumes fracos de BRF no Brasil.
A Minerva (BEEF3), por sua vez, apresentou resultados fracos, pressionada pela disponibilidade limitada de gado e uma menor participação das exportações no mix. A Camil (CAML3) não atingiu as expectativas devido aos preços mais baixos em todos os segmentos e maiores despesas com vendas, gerais e administrativas. A M. Dias Branco (MDIA3) não atingiu as expectativas devido aos volumes mais baixos e aos preços baixos da massa/pior mix.
Agronegócio
Para o BofA, os resultados foram mistos. A 3tentos (TTEN3) superou as expectativas com margens mais fortes no Varejo e em Grãos, impulsionadas por uma maior participação do Mato Grosso nas vendas totais. A SLC Agricola (SLCE3) ficou aquém das expectativas, devido a uma pior composição da soja, menores volumes de algodão e maiores despesas gerais e administrativas.
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Materiais básicos
Para o setor, o BofA vê os resultados como mistos. Em Metais e Mineração, a Vale (VALE3) apresentou um resultado ligeiramente abaixo do esperado, impulsionado por menores receitas de subprodutos e “outras” receitas na divisão de metais básicos; a Gerdau (GGBR4) superou as expectativas em todas as divisões, enquanto a Usiminas (USIM5) superou as expectativas com menores despesas operacionais por tonelada de aço, compensando resultados mais fracos na mineração e menores volumes e preços do aço. Já a CSN (CSNA3) e a CMIN (CMIN3) superaram as expectativas com maiores embarques de aço e menores despesas operacionais por tonelada na mineração, mas a queima de caixa permaneceu significativa.
Gabriel Uarian, analista-chefe da Cultura Capital, ressalta que a Usiminas abriu a temporada com força, reportando lucro bem acima do que eu esperava, impulsionada por margens melhores no aço, mix de produtos premium e efeitos cambiais favoráveis. Isso deu um tom inicial positivo para materiais básicos.
No setor de papel e celulose, o BofA aponta que a Suzano (SUZB3) ficou abaixo das expectativas devido a volumes mais fracos, preços realizados mais baixos e custos mais altos; a Dexco (DXCO3) apresentou resultados acima do esperado, impulsionada por custos mais baixos, compensando receitas mais fracas; a Klabin (KLBN11) ficou abaixo do esperado devido a custos de celulose mais altos do que o previsto e receitas menores no segmento de papel.
Petróleo e Gás a Petroquímica
Os resultados foram mistos, avalia o BofA. No setor de Petróleo e Gás, a Petrobras (PETR3; PETR4) ficou abaixo das expectativas com dividendos e preços de realização upstream (refino) mais baixos; a PRIO (PRIO3) superou as expectativas devido a uma combinação de preços mais fortes do que o esperado e custos mais baixos; a Brava (BRAV3) apresentou resultados sólidos devido a preços de petróleo mais altos e despesas de capital menores; a PetroReconcavo (RECV3) ficou ligeiramente abaixo das expectativas devido a receitas de gás natural um pouco mais fracas e custos de extração mais altos do que o esperado.
Na Distribuição de Combustíveis, a Ultrapar (UGPA3) superou as expectativas com fortes margens Ebitda em Ipiranga, enquanto a Vibra (VBBR3) apresentou margens EBITDA em linha com as nossas expectativas e um FCFE muito forte. No setor Petroquímico, a Braskem (BRKM5) reportou resultados muito fracos, com todos os segmentos apresentando números abaixo do esperado.
Financeiro
Na visão do BofA, os resultados dos grandes bancos foram, em geral, fracos. O Itaú (ITUB4) reportou desaceleração do lucro líquido, apesar do ROE ter atingido o maior patamar em 10 anos, refletindo uma geração de receita mais fraca e maiores provisões (ITUB4). O lucro líquido do Santander Brasil (SANB11) ficou 5% abaixo das estimativas do BofA, já que as políticas conservadoras de concessão de crédito persistiram em meio à incerteza macroeconômica contínua; o ROE caiu para o menor nível desde o 2T24.
Leia também: BB x Bradesco x Itaú x Santander: qual dos bancões mais decepcionou no 1º trimestre?
Já o Bradesco (BBDC4) apresentou o nono trimestre consecutivo de melhoria tanto no ROE quanto no lucro líquido, embora os resultados estivessem em linha com as estimativas do BofA. O Banco do Brasil também apresentou resultados fracos, impulsionados por um custo de risco mais elevado (particularmente em empréstimos agrícolas e ao consumidor), parcialmente compensado por uma forte receita líquida de juros relacionada ao mercado e um crédito tributário (BBAS3). Um custo de risco mais elevado também impactou os resultados do Nubank (BDR: ROXO34).
As seguradoras apresentaram resultados sólidos no 1T26, com baixa frequência de sinistros sustentando um desempenho robusto de subscrição, enquanto a receita financeira continuou a se beneficiar das elevadas taxas de juros. A B3 (B3SA3) também apresentou resultados sólidos, com crescimento generalizado da receita combinado com controle rigoroso de custos, impulsionando a expansão da margem.
Bens de Capital
Os resultados foram fracos. No setor Industrial, a WEG (WEGE3 ficou abaixo das expectativas devido a comparações difíceis no setor solar, ventos contrários do câmbio e margens menores, provavelmente afetadas pelas tarifas de importação dos EUA. No setor de autopeças, a Marcopolo (POMO4) superou as expectativas, impulsionada por resultados financeiros, enquanto a Iochpe-Maxion (MYPK3) ficou aquém das expectativas devido a resultados financeiros piores. Os resultados da Randon (RAPT4) foram afetados por prejuízos na Addiante (empresa de locação de caminhões), resultados financeiros mais fracos e impostos mais altos, e a Tupy (TUPY3) teve desempenho inferior devido a ventos contrários cambiais e à fraca demanda por caminhões e equipamentos fora de estrada. No setor de serviços de terceirização, a GPS (GGPS3) ficou aquém das expectativas devido à menor rentabilidade.
Transporte
Resultados negativos em geral, de acordo com o BofA. No setor de locação de veículos, a Localiza (RENT3) superou as expectativas devido a tarifas diárias da RAC (aluguel de carros) mais fortes do que o esperado, disciplina de custos na Gestão de Frotas, volumes e margens mais fortes da Seminovos e um resultado financeiro melhor.
A Movida (MOVI3) apresentou um forte desempenho no aluguel de carros e melhores resultados financeiros, apesar do aluguel de frotas mais fraco, e a Vamos (VAMO3 superou as expectativas com baixa qualidade, impulsionada por efeitos não recorrentes, com receita de aluguel mais fraca e maior depreciação. A Mills (MILS3) ficou aquém das expectativas devido à receita de aluguel mais fraca e impostos mais altos, e a Armac (ARML3) também ficou aquém das expectativas devido a um forte aumento na depreciação.
Em Logística de Grãos, a Rumo (RAIL3) apresentou resultados mistos, mas o principal ponto positivo foi uma pequena superação das expectativas nas principais operações do Norte, e a Hidrovias (HBSA3) apresentou resultados mais fracos, afetada por dificuldades operacionais nas divisões do Brasil e do Paraguai e por um resultado financeiro pior. Em rodovias com pedágio, a Ecorodovias (ECOR3) ficou aquém das expectativas devido ao tráfego mais fraco e resultados financeiros piores, e a Motiva (MOTV3) também ficou aquém das expectativas devido ao tráfego mais fraco e à menor receita de mitigação, apesar do bom controle de custos.
Varejo e Comércio Eletrônico
Para o BofA, os resultados do varejo no 1º trimestre foram mistos, com pressão nos segmentos discricionários e desempenho mais resiliente em produtos básicos e farmacêuticos. O Mercado Livre (BDR: MELI34) apresentou resultados abaixo do consenso, refletindo principalmente maiores investimentos e aumento das provisões para crédito, sinalizando uma postura mais cautelosa em relação à lucratividade. A RD Saúde (RADL3) reportou um trimestre forte, com crescimento ainda sólido nas vendas em mesmas lojas (+12,8%), apesar da normalização no HPC e algumas restrições de fornecimento de GLP-1. A Hypera (HYPE3) também superou as expectativas, apoiada por vendas mais fortes e créditos fiscais, reforçando a resiliência no setor farmacêutico em comparação com categorias de varejo mais cíclicas.
O Magalu (MGLU3) decepcionou, registrando um prejuízo líquido maior do que o esperado, impulsionado por margens mais fracas, destacando os desafios contínuos na monetização e alavancagem operacional. Para Uarian, da Cultura Capital, Casas Bahia (BHIA3), pesou bastante, com prejuízo expressivo e forte reação negativa no mercado.
Nos setores de vestuário e discricionário, os resultados foram geralmente mais fracos. A Lojas Renner (LREN3) foi um ponto fora da curva positivo, superando as expectativas com margens brutas e créditos fiscais mais fortes, apesar da queda nas vendas. Já a Alpargatas (ALPA4) também surpreendeu positivamente com melhor crescimento da receita, controle de custos e expansão de margem. Em contrapartida, a Azzas (AZZA3) ficou abaixo das expectativas com receitas menores do que o previsto e perda de alavancagem operacional, enquanto a Vivara (VIVA3) teve desempenho inferior devido a despesas mais elevadas e desaceleração do crescimento da receita bruta, com queda de 13,8% em relação ao ano anterior.
Na visão de Uarian, algumas varejistas populares, como Riachuelo (RIAA3) e C&A (CEAB3), mostraram recuperação gradual em vendas e margens mais controladas.
No varejo de alimentos, a Assaí (ASAI3) apresentou resultados muito acima do esperado, impulsionada principalmente pela monetização de créditos fiscais (PIS/COFINS) superior à esperada, mascarando uma tendência operacional mais normalizada. A GPA (PCAR3) apresentou resultados significativamente abaixo do esperado, impactada por eventos não recorrentes, vendas subjacentes fracas e a descontinuação de seu canal B2B.
Serviços Públicos
O setor de serviços públicos apresentou resultados mistos, com dispersão entre os segmentos. A Eneva (ENEV3) foi o principal destaque da temporada de resultados, superando as expectativas em 12%, impulsionada por um volume de negociação de gás mais forte do que o esperado no hub de Sergipe, o que destaca a crescente relevância das iniciativas comerciais em seu portfólio. Ainda no cenário positivo, a Sabesp (SBSP3) apresentou um Ebitda sólido no 1T26, em linha com as expectativas, com forte controle de custos e baixas margens de suporte à inadimplência. A Copel (nota CPLE3) apresentou resultados sólidos, impulsionados por maiores volumes e margens brutas melhores do que o esperado no negócio de geração de energia.
Por outro lado, a Axia (AXIA3) reportou resultados abaixo das expectativas na margem bruta de energia e foi impactada negativamente por uma provisão não monetária de R$ 725 milhões relacionada às receitas de transmissão, o que distorceu materialmente os resultados. Já a Energisa (ENGI11) teve um desempenho inferior, com margens e volumes mais fracos, além de maior inadimplência, sugerindo sinais iniciais de pressão no lado do consumidor. Ainda no setor, a Equatorial (EQTL3) apresentou resultados amplamente em linha com as estimativas do BofA, com margens de distribuição sólidas compensando os impactos negativos das reduções de energia renovável; a Cemig (CMIG4) teve um trimestre desafiador e ficou abaixo do consenso, mas com uma composição mais equilibrada, com geração e comercialização superando nossas expectativas; a Copasa apresentou resultados fracos devido a uma composição tarifária mais fraca e maior inadimplência (CSMG3). A Sanepar também reportou resultados fracos devido a custos mais altos (SAPR11).
Construtoras residenciais
Para o BofA, os resultados foram mistos. No lado positivo, a Cury (CURY3) superou as expectativas com receitas maiores e despesas de vendas e financeiras menores, a Direcional (DIRR3) superou as expectativas com um sólido 1T26 em resiliência operacional, e a Tenda (nota TEND3) superou as expectativas com melhores margens brutas e despesas operacionais.
Do lado negativo, a Cyrela (CYRE3) ficou aquém das expectativas devido à queda nas receitas e ao aumento das despesas de vendas; a MRV (MRVE3) também apresentou resultados abaixo do esperado, com maior alavancagem e menor receita de participações societárias; a Even (EVEN3) reportou resultados fracos, com queda na receita bruta e maiores provisões para contingências; e a Plano & Plano (PLPL3) apresentou resultados fracos devido ao aumento das despesas operacionais e financeiras. Já a EZTec (EZTC3) apresentou lucro líquido abaixo do esperado, mas margem acima do previsto.
Shoppings
Para o BofA, os resultados do setor são mistos, com tendência negativa. Multiplan (MULT3) teve crescimento da receita líquida e compressão do lucro líquido ano a ano, impulsionados por maiores despesas financeiras e imobiliárias. A Allos (ALOS3) apresentou vendas nas mesmas lojas (SSS) abaixo de seus pares de alto padrão, com crescimento de 3,8% ano a ano, aluguéis estáveis e taxa de ocupação de 96,2%. A Iguatemi (IGTI11) apresentou tendências operacionais sólidas, mas ficou abaixo do FFO (fluxo de caixa proveniente das operações) esperado pelo BofA, impactada negativamente por despesas financeiras e impostos maiores do que o esperado. A LOG (LOGG3) apresentou um sólido 1T26, com crescimento da receita líquida (+19% ano a ano), parcialmente compensado por maiores despesas financeiras.
Telecomunicações e tecnologia
A visão é de que resultados predominantemente negativos, segundo o BofA. A TIM (TIMS3) apresentou resultados fracos no 1T26, com sinais de desaceleração na receita e nas margens. A Vivo (VIVT3) apresentou um resultado ligeiramente abaixo do esperado, principalmente devido à pressão sobre as margens.
Do lado positivo, a Unifique (FIQE3) apresentou resultados sólidos, com crescimento robusto da receita impulsionado principalmente por dispositivos móveis e menor investimento de capital.
No segmento de tecnologia, os resultados foram majoritariamente positivos. A Locaweb (LWSA3) apresentou resultados sólidos, sustentados por forte expansão de margem e geração de caixa. A Intelbras (INTB3) superou as expectativas em receita e EBITDA, além de apresentar forte geração de caixa. A TOTVS (TOTS3) apresentou resultados ligeiramente positivos, impulsionada por forte expansão de margem, mas os números da Linx ficaram abaixo das nossas estimativas. A VTEX (VTEX) apresentou resultados mistos, com forte expansão de margem impulsionando um EBITDA acima do esperado, mas o crescimento da receita em moeda constante permaneceu fraco e a projeção de crescimento da receita foi reduzida.
Saúde
No geral, os resultados mistos a positivos, na visão do banco americano. A Hapvida (HAPV3) apresentou um índice de sinistralidade (MLR) muito melhor do que o esperado, sustentando tanto o Ebitda quanto a geração de caixa. A Rede D’or (RDOR3) apresentou resultados mistos, com um resultado acima do esperado na SulAmérica compensado por um resultado ligeiramente abaixo do esperado em hospitais.
A Dasa (DASA3) superou as expectativas, apresentando resultados de ganhos de eficiência e alavancagem operacional. A Fleury (FLRY) reportou resultados sólidos com expansão resiliente da receita, impulsionada pelo crescimento orgânico do PSC (unidades de atendimento) e despesas controladas. A Qualicorp (QUAL3) reportou resultados positivos, com a redução do prejuízo líquido para 14 mil dólares em relação ao trimestre anterior, como resultado do processo de reestruturação. A Viveo (VVEO3) reportou resultados mistos, com margem bruta acima do esperado, mas com maiores despesas financeiras impactando o resultado final e a geração de caixa.
Educacionais
Os resultados de educacionais foram mistos, com leve assimetria positiva. A Ânima (ANIM3) reportou um sólido 1T26, com a tese de desalavancagem intacta e uma importante recuperação operacional. A Yduqs (YDQS3) superou as expectativas, impulsionada por menor exposição a programas de financiamento (DIS) e maior geração de caixa. A Ser Educacional (SEER3) reportou resultados sólidos, com disciplina de custos sustentando a tese de geração de caixa, apesar da pressão sobre as admissões. A Vitru (VTRU3) apresentou resultados acima do esperado, impulsionada por marketing disciplinado e captação de alunos sustentada, apesar das mudanças regulatórias. A Afy reportou resultados em linha com as expectativas, com o crescimento das mensalidades de cursos de medicina acompanhando a inflação, enquanto o EBITDA foi pressionado por custos e despesas de vendas mais elevados.
Já a Cogna (COGN3) ficou aquém das expectativas, com a Kroton apresentando desempenho inferior devido ao menor volume de cursos a distância, maiores gastos com marketing e provisões para devedores duvidosos. A Cruzeiro do Sul (CSED3) reportou resultados fracos, com maiores despesas gerais e administrativas, além de captação de alunos abaixo do esperado em todos os segmentos.

