Qual o impacto do corte dos juros no seu bolso?

Apesar da redução da Selic para 18,75% ao ano, financiamentos ainda estão caros e investidor deve repensar na composição de suas aplicações

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SÃO PAULO – Sete meses após a última modificação na taxa de juros no Brasil, o Banco Central (BC) finalmente decidiu baixar a taxa básica da economia (Selic) de 19,00% para 18,75% ao ano. Apesar de pequena, a redução deverá provocar alguns impactos na economia do país, mexendo inclusive no seu bolso. Alterações na política monetária devem ser encaradas pelo investidor como um momento para rever a composições de suas aplicações, buscando maximizar a rentabilidade dos investimentos.

O que muda no seu bolso?

Em linhas gerais, a taxa de juros exerce dois impactos relacionados ao seu dinheiro. Juros mais baixos acabam barateando o custo de financiamentos, por exemplo, e por outro lado, diminuem os ganhos de investidores que aplicam em títulos de renda fixa. A excelente rentabilidade obtida com juros nos últimos dez anos está com seus dias contados. Essa situação tornou-se insustentável, e começa a ficar mais clara a intenção do Governo em baixar a Selic, tendência que deverá ser mantida mesmo pelos próximos governos.

Redirecione suas aplicações

Com o fim da tendência de alta nos juros está na hora de pensar em uma re-alocação de sua carteira de investimentos. Juros mais baixos tendem a privilegiar aplicações na Bolsa, uma vez que o potencial de valorização dos papéis torna-se bem maior. As ações poderão ser beneficiadas, pois a redução da Selic tem um efeito estimulante na economia, fazendo com que as empresas aumentem seus negócios e conseqüentemente seu faturamento com vendas. Certamente os investimentos em renda variável, isto é, na Bolsa, serão os mais beneficiados no curto prazo.

No que diz respeito às aplicações mais conservadoras, o aumento na Selic que vinha sendo feito no ano passado foi bastante benéfico àqueles que investiram em pós-fixados, como é o caso dos fundos DI. A cada aumento da taxa de juros, esses investidores ganhavam nos rendimentos. Já em relação à política de corte da Selic, você será beneficiado se aplicar em ativos prefixados, como os fundos de renda fixa tradicionais, por exemplo.

Financiamento ainda são caros

Voltando aos aspectos ligados aos financiamentos, ainda é um pouco cedo para falar em diminuição dos custos. Uma redução de 0,25 ponto percentual é muito pequena para acreditar que os bancos irão repassá-la ao consumidor. Pode-se deduzir, no entanto, que se essa política de cortes for mantida, certamente a população poderá gozar de juros mais baixos para crediários e créditos diretos ao consumidor, já que sem dúvida o governo também irá exercer uma pressão para que as instituições financeiras repassem essa redução. A categoria de financiamentos imobiliários será a menos afetada com a alteração da política monetária, por se tratarem de financiamentos de longo prazo, cujas taxas são mais estáveis do que acontece nos juros de curto prazo.

Por que o BC decidiu reduzir os juros?

A intenção de baixar os juros não é nova e já existia desde 2000, quando o Governo reduziu os juros significativamente, entretanto vários eventos em 2001 impediram a manutenção desta tendência, como crise na Argentina, crise energética e até mesmo crise no Senado, que contribuíram para que o dólar subisse. Diante da alta do dólar e maior instabilidade nos mercados o BC acabou forçado a subir os juros para evitar a disparada da inflação e manter o fluxo internacional de capitais.

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Entretanto, a elevação dos juros tem um efeito desestimulante na atividade econômica, já que os custos de financiamento ficam mais caros para as empresas e o mercado acaba optando pelos investimentos em renda fixa, mais seguros e com uma rentabilidade bastante interessante.

O Brasil foi um dos países que menos sofreu com a desaceleração econômica mundial, se beneficiando da desvalorização do real, que gerou competitividade aos produtos brasileiros no exterior. Mesmo assim, o crescimento econômico do Brasil em 2001 foi bem menor que as previsões feitas no início do ano, e o fantasma da inflação ainda preocupava o governo. O controle sobre os preços é a base eleitoral do atual governo, de modo que uma redução nos juros não poderia ser feita antes que a inflação estivesse sob controle. Com a evolução dos preços em um patamar mais estável, o BC pode finalmente começar a promover cortes nos juros, com o objetivo de retomar o crescimento econômico.