Qual leitura o mercado pode tirar da última ata do Copom?

Segundo a XP Investimentos, foi uma ata dovish (moderada) "com destaque para o reconhecimento de atividade mais fraca e vulnerável no curto prazo"

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SÃO PAULO – A ata do Copom (Comitê de Política Monetária) divulgada na manhã desta quinta-feira (11), não trouxe surpresas para o mercado na avaliação de diversos analistas. O documento da reunião que trouxe uma elevação de 0,5 ponto percentual para a Selic na semana passada veio em linha com o comunicado anteriormente divulgado, que indicava um combate à inflação mais firme do que o que o Banco Central vinha fazendo, porém sem deixar de lado a cautela diante de um cenário de crescimento fraco da economia. 

Para a Leme Investimentos, a ata foi vista como neutra, mostrando ainda preocupação com a inflação. O que realmente chamou a atenção do especialista em renda fixa da Leme, Paulo Petrassi, foi a menção ao fiscal, quando no parágrafo em que o documento afirma: “Não obstante identificar evidências de estímulos fiscais na composição da demanda agregada este ano, na visão do Comitê, no horizonte relevante para a política monetária, o balanço do setor público tende a se deslocar para a zona de neutralidade, além disso, pondera que não se pode descartar migração para a zona de contenção fiscal”.

Já de acordo com a XP Investimentos, foi uma ata dovish (moderada) “com destaque para o reconhecimento de atividade mais fraca e vulnerável no curto prazo, reiterando fiscal mais apertado e crível na margem, e reconhecimento de uma inflação ainda persistentemente pressionada em 2015 porem com início de um longo processo de convergência mais claro a partir de 2016”. A XP acredita que o ciclo de alta continua e que a única coisa que fica em aberto é a magnitude do próximo aumento da taxa básica de juros. A previsão é de que haja mais um apertos monetários de 50 pontos-base e 25 pontos-base nas duas próximas reuniões. 

Além dos pontos citados, a Arsa ainda notou com “estranheza” a falta de menção à queda dos preços das commodities pelo BC, avaliando a ata também como dovish, porém lembrando que a maior diferença do tom deste documento em relação aos anteriores é a “convicção do apoio da política fiscal”.