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A discussão sobre o futuro da indústria aeroespacial ganhou novos contornos durante o Farnborough Airshow. Em meio aos debates sobre novas tecnologias, descarbonização, defesa e gargalos na cadeia de suprimentos, uma conclusão parece ter se consolidado: o próximo grande ciclo de investimentos do setor ainda está em formação.
Quando chegar, a Embraer (EMBJ3) pode estar entre as empresas mais bem posicionadas para aproveitar as oportunidades. A avaliação é de relatório temático do Research da XP que revisitou os principais temas discutidos durante o evento e reafirmou recomendação de compra para as ações da fabricante brasileira.
Segundo o estudo, o debate na indústria já não gira em torno de saber se haverá um novo ciclo de investimentos, mas sim quais tecnologias, plataformas e companhias serão capazes de liderá-lo. Nesse contexto, a Embraer aparece em posição favorável por combinar carteira de pedidos recorde, exposição a diferentes segmentos da aviação e flexibilidade financeira para decidir quando investir em um eventual novo programa de aeronaves.
Futuro das aeronaves comerciais
Um dos principais temas discutidos em Farnborough foi o futuro das aeronaves comerciais. Airbus, Boeing e Embraer seguem estudando plataformas de próxima geração, mas nenhuma das fabricantes parece disposta a lançar, neste momento, um projeto totalmente novo. Em vez disso, a atenção do setor está concentrada em tecnologias de propulsão mais eficientes, como os conceitos Open Fan, da CFM, e UltraFan, da Rolls-Royce.
A percepção é que o próximo salto tecnológico da indústria ainda depende do amadurecimento dessas soluções. Com isso, programas de aeronaves totalmente novos estão sendo vistos cada vez mais como uma possibilidade para além da metade da próxima década, o que amplia o período de exploração das plataformas atualmente em produção.
O relatório também destaca que os desafios da cadeia de suprimentos continuam sendo um dos principais fatores que moldam o setor. Embora as interrupções mais severas observadas durante a pandemia tenham diminuído, os problemas são considerados estruturais e não apenas conjunturais.
A limitação de fornecedores qualificados, as exigências de certificação específicas da aviação e a dependência de tecnologias proprietárias dificultam a substituição de componentes e mantêm gargalos recorrentes na indústria. Atualmente, motores, sistemas eletrônicos, peças forjadas e mão de obra especializada estão entre os pontos mais críticos.
Ao mesmo tempo, diferentes segmentos da aviação atravessam fases distintas de seus ciclos de crescimento. Os gastos globais com defesa continuam acelerando, favorecendo fabricantes com atuação militar, enquanto a aviação executiva segue sustentada pela criação de riqueza e pelos modelos de propriedade compartilhada de aeronaves.
Ciclo de renovação da frota
Já a aviação regional, principal mercado da Embraer, é vista pelos analistas da XP como candidata a um ciclo de renovação de frota que pode se estender por vários anos. Além disso, a mobilidade aérea urbana avança rumo às certificações regulatórias, enquanto combustíveis sustentáveis de aviação, aeronaves elétricas e outras tecnologias disputam espaço como alternativas para descarbonizar o transporte aéreo.
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Nesse cenário, a fabricante brasileira reúne exposição a diversas dessas tendências. A companhia combina presença relevante em aviação comercial regional, defesa, jatos executivos e serviços, reduzindo a dependência de um único mercado e ampliando sua capacidade de capturar oportunidades em diferentes frentes.
Para os analistas, essa posição permite que a Embraer continue extraindo valor de suas plataformas atuais sem a necessidade de assumir, no curto prazo, os riscos associados ao lançamento de uma nova aeronave. A avaliação é que a empresa não enfrenta pressão imediata para iniciar um novo programa e pode preservar recursos enquanto o próximo ciclo tecnológico ganha definição.
Quando esse novo ciclo se materializar, a Embraer tende a figurar entre o grupo restrito de fabricantes com experiência em certificação, capacidade industrial e portfólio suficientes para disputar oportunidades.
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