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SÃO PAULO – Nas últimas semanas, o dólar tem atingido patamares equivalentes aos de junho de 2002, com os investidores otimistas no que se refere ao rumo da economia brasileira, especialmente devido às quedas na cotação do petróleo no mercado internacional.
Outro fator de fundamental importância para a queda da moeda norte-americana frente ao real é o movimento global de desvalorização do dólar. Porém, após a compra no mercado realizada nesta segunda-feira pelo Banco Central, alguns fatores podem levar à alta da moeda norte-americana.
Assim, três fatores podem, no curto prazo, fazer com que as quedas do dólar frente ao real revertam: prováveis novas compras do Banco Central, eventuais intervenções no mercado internacional e uma redução do saldo da balança comercial brasileira.
Banco Central efetuou compra de US$ 1 milhão
Na manhã desta segunda-feira, o Banco Central efetuou a compra de US$ 1 milhão. Apesar do pequeno volume da operação, o mercado entendeu a operação como uma sinalização de que novas intervenções podem ser realizadas. Vale destacar que o mercado já reconhecia a possibilidade de compra por parte do Banco Central.
Há quase duas semanas, em função das recentes quedas, o Tesouro Nacional anunciou a compra de quase US$ 3 bilhões de dólares no mercado para honrar compromissos com credores internacionais, o que evidenciava a percepção das autoridades econômicas de que o dólar encontrava-se em um patamar baixo.
Desempenho da balança vem sendo prejudicado
Outro fator que pode impactar o real refere-se ao desempenho da balança comercial, que pode motivar ajustes na cotação da moeda norte-americana, tanto por parte dos investidores quanto por parte do Banco Central. O dólar desvalorizado tem elevado substancialmente as importações e reduzido as exportações.
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Neste sentido, de acordo com os dados divulgados da balança comercial de novembro divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a média diária das importações em novembro foi de US$ 304,1 milhões, a maior do ano. Enquanto isso, as exportações tiveram média diária de US$ 408 milhões no mesmo período, a menor média diária desde maio.
Intervenção é possível também no mercado internacional
No mercado internacional, especula-se a possibilidade de que o Banco Central Europeu e de que o Bank of Japan, o banco central japonês, possam intervir no mercado, até mesmo de maneira conjunta, para impedir novas desvalorizações do dólar frente ao euro e ao iene.
Isso pode ocorrer em função da piora que o dólar desvalorizado em relação às moedas da Europa e do Japão poderia causar ao desempenho comercial de ambos. Assim, como uma das razões para a queda da moeda norte-americana no Brasil é sua tendência de baixa no mundo, uma eventual intervenção no mercado internacional poderia influenciar também a cotação da moeda norte-americana frente ao real.