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SÃO PAULO – Após um período de fluxo de capital considerado bastante barato para os emergentes nos últimos anos, a situação parece se reverter de forma igualmente rápida e intensa, ainda mais com a redução do programa de flexibilização monetária pelo Federal Reserve, a autoridade monetária norte-americana.
Neste cenário, os juros do Brasil são um caso especial, aponta a equipe de estratégia de mercado do Citi Research para a América Latina uma vez que, por causa da inflação doméstica, o País não está esperando pela redução do Quantitative Easing para elevar os juros. De acordo com os economistas do Citi, a taxa de juro básica oficial deve ir para 9,25% já em outubro, aponta em relatório divulgado na semana passada.
E, em um ambiente de aumento de taxas, muitas empresas podem ver suas dívidas aumentarem. Isso porque, aponta a equipe, as corporações brasileiras tomaram a ponta do recebimento de financiamento com recordes de juros baixos, elevando o nível de suas dívidas de 1,1 vez o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) em 2008 para os 2,4 vezes atuais.
E, embora as dívidas estejam em grande parte estruturadas com prazos de vencimento longos e em moeda local, ou com cobertura (hedge) natural, 46% delas têm juros variáveis de curto prazo.
Mas quais as corporações brasileiras que estão em maior risco?
Os estrategistas do Citi apontam para as construtoras e imobiliárias entre as de maior risco com o aumento da taxa de juro, uma vez que têm as maiores exposições a dívidas atreladas a juros variáveis de curto prazo.
Outros casos no Brasil incluem os setores de energia e de aviação, algumas empresas de varejo e situações diversas como a da OSX (OSXB3), a da CSN (CSNA3), da Iochpe Maxion (MYPK3) e a da Suzano (SUZB5).
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Os analistas do Citi possuem recomendação de compra para os papéis da OSX, com preço-alvo de R$ 13,50, mas ponderam que é um investimento de alto risco devido ao grande investimento inicial em caixa por parte da empresa em suas unidades de construção naval e de fretamento.
Segundo apontam, o modelo de negócios da OSX depende da obtenção de grande alavancagem financeira para as unidades fretadas. Assim, um forte aumento dos juros em alta do crédito ou uma queda no valor dos ativos poderia afetar significativamente a capacidade da OSX de financiar suas unidades, assim como o valuation.
Para os papéis da CSN, a recomendação é de venda, com preço-alvo de R$ 6,14, mesma recomendação da Suzano, com preço-alvo de R$ 7,79. Já a Iochpe-Maxion é destacada pelos analistas do Citi como uma empresa com potencial de crescimento maior do que o resto do grupo apresentado. Entretanto, apontam, “ela ainda é uma empresa alavancada e preferimos uma posição conservadora, uma vez que isso representa apenas uma reavaliação pequena em relação ao níveis atuais”, destacam. A recomendação é de compra, com target de R$ 25,25.
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Maior exposição que México e Chile
O Citi Research aponta ainda que as corporações mexicanas e chilenas estão menos expostas do que as brasileiras a taxa de juros variáveis. Elas correspondem no México a apenas 24% do total de dívidas corporativas, a metade da observada no Brasil. “Irônico porque, em contraste com o Brasil, o debate no México ainda é se os juros vão cair ou permanecer estáveis”, afirma a equipe do Citi.