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SÃO PAULO – Apesar do turbulento cenário político, há poucos motivos para acreditar que a taxa de câmbio subirá de forma significativa. Esta é constatação dos analistas da consultoria econômica GRC Visão, após uma análise das perspectivas para a moeda norte-americana nos próximos meses.
Depois de ser cotada abaixo dos R$ 2,30 no início de agosto, a divisa iniciou uma trajetória de recuperação, impulsionada pela deterioração do cenário político e pelo retorno do Banco Central ao mercado, mas, para os analistas da consultoria, existem vários fatores macroeconômicos que não devem permitir a volta do dólar aos patamares do ano passado.
Trajetória de longo prazo é de queda
Desde o final de 2002, quando chegou a beirar os R$ 4,00, a trajetória de longo prazo da moeda norte-americana é de queda acentuada. Para os analistas da GRC Visão, essa queda não é por acaso, mas faz parte de um cenário macroeconômico favorável ao real.
Para os analistas, o elevado diferencial entre os juros interno e externo, além de atrair o fluxo de capitais estrangeiros, favorece a tomada de posições vendidas nos mercados futuros. Nesse sentido, os investidores têm incentivos para motivar a desvalorização da moeda no mercado à vista.
Outro fator que pressiona a moeda norte-americana, segundo a GRC, é o forte desempenho da balança comercial brasileira desde o início do ano. Mesmo com a depreciação da divisa frente ao real, as exportações têm mantido sua competitividade no mercado externo e o saldo positivo em 2005 deve superar o recorde obtido no ano passado.
Este desempenho pode ser explicado, em parte, por um momento favorável para os mercados de commodities no plano internacional, além da necessidade de algumas empresas em exportar mesmo com condições menos favoráveis para não perder clientes já conquistados.
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Cenário internacional também pressiona a moeda
A consultoria também cita as condições favoráveis de liquidez no cenário internacional, devida à combinação de crescimento global, juros baixos mundo afora e excesso de recursos. A situação atual favorece o fluxo de investimentos estrangeiros nos mercados de países emergentes, como o Brasil.
Vale destacar que a divisa norte-americana também opera em forte queda diante das principais moedas no mercado internacional, em decorrência, principalmente, do elevado déficit em conta corrente dos Estados Unidos.