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SÃO PAULO – A expressiva recuperação dos mercados internacionais desde o corte de 50 pontos-base na taxa básica de juro norte-americana, realizado em um movimento surpreendente do Banco Central dos EUA (Federal Reserve), surpreendeu os investidores.
O rali dos ativos, sustendo por algumas semanas, inspirou análises de que o pior da crise do mercado de crédito imobiliário de alto risco (subprime) já poderia ter passado. A resposta, contudo, não é consensual.
Em análise publicada nesta segunda-feira (22), o economista sênior do banco BMO (Bank of Montreal), Sal Guatieri, lista pontos que devem ser acompanhados pelos investidores na busca de definir sinais que possam indicar o final do pior da crise.
Inadimplência: o vilão
A inadimplência no segmento hipotecário norte-americano é considerada um marco zero da recente crise dos mercados financeiros. Especialmente os financiamentos no campo subprime. Ou seja, operações de alto risco, onde não são exigidos comprovantes de renda, e nem de residência.
A reversão deste fator, portanto, é considerada determinante para a reviravolta da crise, explica Guatieri. Este momento, entretanto, não deve ser atingido em breve. A publicação do último Livro Bege do Fed, que traça um panorama da economia em 12 regiões dos EUA, mostra que a inadimplência continuou a crescer até meados de outubro.
Com o aumento dos calotes, as condições de crédito podem ficar ainda mais apertadas e, por conseqüência, levar a um mercado imobiliário ainda mais fraco na ponta da demanda. “A combinação do aumento da oferta e da queda da demanda pode estender a depreciação dos preços dos imóveis e afetar o consumo”, explica o analista.
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Spreads de crédito
O corte de 50 pontos-base na taxa básica de juro foi lida como um movimento preventivo. Vista assim pelo mercado, e também explicitada pelo Fed na publicação da sua ata da reunião. Nos meses anteriores ao corte, as taxas dos títulos hipotecários e corporativos haviam registrado uma forte valorização. Resposta à elevação do risco.
Depois do corte na Fed Funds Rate, as taxas se ajustaram, porém o spread permaneceu alto. “A continuidade dos ajustes das taxas poderá indicar que os movimentos começaram a seguir livremente de novo”, diz Guatieri.
Retorno da concessão de crédito
Com a inadimplência em alta, as concessões de crédito passaram a um ritmo mais criterioso. Segundo pesquisa realizada pelo Fed, as condições do mercado de crédito atual são as mais estreitas desde a recessão de 1991.
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Neste ponto, o cenário ainda permanece prejudicado. Os bancos continuam com padrões apertados de concessão e os próximos indicadores ainda tendem a apresentar este panorama.
Vendas pendentes de imóveis
As assinaturas de contratos para a venda de casas, denotada pelo Pending Home Sales, são lidas como um sinalizador para os próximos passos do mercado imobiliário.
Os patamares dos últimos meses sugerem que o nível de vendas de casas novas deve chegar a um piso em breve, avalia o analista. Sendo assim, olho vivo nestes indicadores. A próxima divulgação do Pending Home Sales está agendada para 1º de novembro.
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Estoque de casas
As construtoras reduziram expressivamente as obras e os preços dos imóveis para eliminar os estoques e recuperar a rentabilidade. Mas o lado comprador não tem ajudado. Como conseqüência, a oferta de casas, relativamente às vendas, está no mais alto nível em dezesseis anos.
A disponibilidade no mercado secundário de imóveis é ainda maior. “Até o momento em que as vendas de casas não retornem ao patamar normal, os preços continuarão a cair”, explica o analista.
Pedidos de equipamentos
Fora do mercado imobiliário, a economia ainda tem mostrado resistência. Apesar disso, os pedidos de máquinas e equipamentos desaceleram ao passo do crescimento da incerteza com o futuro da economia.
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“Uma reviravolta consistente nos pedidos poderá sinalizar uma melhora na confiança dos empresários, removendo grande parte dos riscos para o investimento e empregos”, completa Guatieri.