Quais empresas levam a melhor e a pior com a disparada do dólar?

Empresas dos setores de mineração, siderurgia e papel e celulose devem ser as mais beneficiadas com esse movimento, dizem analistas; Petrobras e Gol podem enfrentar dificuldades

Paula Barra

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SÃO PAULO – A escalada do dólar em relação ao real, que subiu 7,04% em maio e fez com que a moeda norte-americana conquistasse o posto de melhor investimento no mês, acendeu um sinal de alerta para algumas empresas da bolsa, enquanto criou oportunidade de ganhos para outras. 

Num movimento como esse do dólar, os especialistas buscam separar as companhias em três grupos para avaliar um cenário provável de perdas ou ganhos, que seriam: as exportadoras, importadoras e endividadas.

Dentro desse panorama, a disparada do dólar sugere algum alívio para as exportadoras, mas traz adversidade para quem tem dívida em moeda norte-americana e para as grandes importadoras. 

As que mais ganham
Com isso, as ações que mais beneficiadas nesse cenário são as empresas dos setores de mineração, siderurgia e papel e celulose. 

No caso do setor siderúrgico, os principais nomes nesse ambiente seriam a Gerdau (GGBR4) e Usiminas (USIM3; USIM5), já que possuem baixas margens operacionais e são mais sensíveis à variação cambial e aos preços do aço, avaliam os analistas Felipe Hirai, Thiago Lofiego e Karel Luketic, do Bofa. Segundo eles, para cada alta de R$ 0,10 no dólar, a Gerdau ganha 18% em Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e a Usiminas, 15%. 

Já para a CSN (CSNA3) e Vale (VALE3; VALE5) o impacto na geração de caixa medida pelo Ebitda seria de 14% e 8%, respectivamente. Isso refletiria positivamente também nas ações da Bradespar, holding que detém participações nas ações da Vale, apontam os analistas do BofA.

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Outras fortemente beneficiadas seriam as ações da Fibria e Suzano, no setor de papel e celulose, disseram os analistas do BofA. Segundo eles, a expectativa é que as companhias entreguem bons resultados nos próximos trimestres. Cada R$ 0,10 de depreciação do real, deve trazer um crescimento de 11% no Ebitda da Suzano em 2014 e 9% no da Fibria. 

A Klabin (KLBN4), no entanto, é apontada como o maior risco/retorno entre as empresas compiladas pelo Credit Suisse, uma vez que precisaria de 4 anos e três meses para que a receita da empresa em moeda estrangeira pague sua dívida.

Em relatório, o Credit Suisse comenta que as empresas que serão mais beneficiadas são aquelas que possuem maior parte da receita atrelada ao dólar e custos em real.

Para os analistas Andrew Campbell e Daniel Federle, a depreciação do real deve trazer alívio importante para os produtores locais que competem com as importações e para os exportadores que lutam para ser mais competitivos. Com isso, eles listam ainda as ações da Braskem (BRKM5) e Minerva (BEEF3) como favorecidas por esse cenário.

Os analistas Paula Kovarsky e Diego Mendes, do Itaú BBA, também listam a Braskem como um dos principais nomes nesse ambiente. Para eles, o impacto do real enfraquecido no Ebitda projetado para 2014 irá mais do que compensar o aumento da dívida líquida. Num cenário do dólar cotado a R$ 2,30, eles apontam que a ação pode chegar a ser negociada a R$ 27,90, o que implicaria um potencial de valorização de 69,19% em relação ao fechamento da última quarta-feira (6). 

Eles ainda indicam uma boa opção no setor de distribuição de combustíveis. Segundo os analistas, a depreciação do real deve ajudar as operações da Ultrapar (UGPA3), uma vez que as margens da Oxiteno são denominadas em dólar. Num cenário de dólar a R$ 2,30, eles estimam uma expansão de 16% no Ebitda da Oxiteno.

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Empresas que mais exportam em relação à receita

Empresas Ticker % das exportações na receita
Vale VALE5 85%
Fibria FIBR3 85%
Magnesita MAGG3  53%
MMX Mineração MMXM3 49%
São Martinho SMTO3 49%
Autometal AUTM3 40%
Weg WEGE3 38%
CSN CSNA3 38%
Braskem BRKM5 26%
Klabin KLBN3 22%
Fonte: Credit Suisse

Cuidado com nomes excessivamente alavancados
Por isso, é importante evitar nomes excessivamente alavancados, buscando conservadorismo das estruturas de capital. Um levantamento da economática mostra que entre os meses de abril e maio, a dívida em dólar de 195 companhias com capital aberto na BM&FBovespa pode ter aumentado em R$ 3,36 bilhões só por causa da desvalorização cambial.

Com isso, se a lucratividade dessas empresas, que atingiu R$ 20 bilhões no 1° trimestre, for mantida neste trimestre, a despesa financeira provocada pela variação cambial representaria uma corrosão de 16,4% do lucro. 

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Em 31 de março, quando essas empresas publicaram seus balanços, a dívida em moeda estrangeira que correspondia a 44% do endividamento total somava R$ 251,9 bilhões, com o dólar cotado a R$ 2,0138. No dia 31 de maio, essa cifra teria alcançado R$ 255,31 bilhões, com o dólar a R$ 2,1319.

De acordo com o levantamento, a Petrobras (PETR3PETR4) encabeçaria o ranking com a maior dívida estrangeira, respondendo sozinha por quase metade (46%) da despesa da desvalorização cambial acumulada em dois meses. Neste período, a dívida da empresa em moeda estrangeira teve um acréscimo de R$ 1,581 bilhão.

Além da questão do endividamento, a petroleira também seria impactada pelas importações de petróleo e derivados. “A Petrobras, que tem os preços fixados pelo governo em real e importa em dólar, poderia ser negativamente afetada, pelo menos no curto prazo”, disseram os analistas do Credit Suisse.

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Depois da Petrobras, estão Oi (OIBR3OIBR4), Eletrobras (ELET3; ELET6), Fibria (FIBR3), BRF (BRFS3), JBS (JBSS3) e Suzano Papel (SUZB5), entre as mais endividadas em moeda estrangeira. A relação entre dívida estrangeira e total dessas empresas é de 37,5%, 34%, 57,9%, 39,2% e 44%, respectivamente. Vale mencionar que no caso da Fibria e Suzano o endividamento em moeda estrangeiro elevado é compensado pela exportação.

O levantamento, no entanto, considerou somente as companhias que publicaram balanços e especificaram a dívida em moeda estrangeira. Por isso, grandes empresas ficaram de fora dessa lista, como foi o caso da Gol (GOLL4), apontada pelo BofA como uma das principais afetadas neste cenário.

Segundo os analistas, o movimento do dólar levantou preocupações em relação às margens da empresa aérea e o lucro, com os custos tendo aumento de 55% e a dívida em dólar representando 73% do seu endividamento.

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Outros exemplos são das empresas do setor de petróleo OGX (OGXP3) e Queiroz Galvão (QGEP3), indicam os analistas do Itaú BBA. Segundo eles, a depreciação do real tende a ter um forte impacto negativo no balanços dessas empresas e no programa de capex (investimentos em bens de capital), em especial no caso da OGX.

De acordo com os analistas, a empresa de petróleo do Grupo EBX, do empresário Eike Batista, deve ser a mais afetada por ter um grande endividamento em moeda norte-americana, US$ 2,7 bilhões. A Queiroz Galvão também sofre um pouco pois o preço de gás do Campo de Manati está atrelado ao IGP-M.