Quais as possibilidades e o que mudaria caso Eike realmente chegue à Vale?

A saída mais fácil para o sonho do bilionário ainda é cercada de barreiras; talvez seja melhor às ações EBX que às da Vale

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SÃO PAULO – O interesse de Eike Batista na Vale foi oficializado nesta semana, quando a Bradespar confirmou a oferta do bilionário dono do grupo EBX por sua participação na mineradora. Eike recebeu um “não” da holding, mas não se intimidou. Como alternativa, foi atrás da fatia da Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil. Mais uma negociação que não avançou. Mas há fumaça.

A história de Eike na Vale não começa e pode não terminar somente nisto. O fato de seu interesse ter se tornado público, além de sua insistência no assunto, apenas reforçam a tese de que a Vale é o grande sonho do empresário. Eike tenta entrar para a história da mineradora como seu pai, Eliezer Batista, entrou.

Tem história

Eliezer foi presidente da ainda “Companhia Vale do Rio Doce” por duas oportunidades. Na primeira delas, desde 1961, atrelou seu nome ao desenvolvimento das relações comerciais da mineradora no mercado asiático, através do conceito chamado de “distância econômica”, que permitiu à Vale entregar minério a siderúrgicas japonesas.

“Abrimos o mercado para um produto que podia valer pouco, mas a ideia era ganhar dinheiro com a ‘logística’, transformando uma distância física (entre Brasil e Japão) numa ‘distância econômica’ (o valor necessário para colocar o minério brasileiro nas usinas japonesas)”, afirmou o pai de Eike posteriormente, em trecho extraído da revista Minérios & Minerales.

Eliezer Batista, pai de Eike, à frente da Vale *

Já em seu segundo mandato, no início da década de 1980, trabalhou no Programa Grande Carajás, que atualmente responde pela mais importante mina da companhia, cujo minério de ferro é reconhecido pela alta qualidade.

A vez de Eike

Ao que tudo indica, agora pode ser a vez de Eike. Mas há algumas barreiras. No início desta semana, em um jantar em homenagem ao presidente Lula em Nova York, o empresário reconheceu que, se tiver a chance, vai mesmo comprar uma fatia na Vale, lembrando que o grupo possui muito capital e está “sempre analisando este tipo de coisa”.

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Em sua negativa, por outro lado, a Bradespar disse que sequer estudou a proposta de Eike. A Previ apareceu como alternativa mais provável.

O dispêndio deverá ser menor através da Previ, segundo os analistas da Link Investimentos. Pedro Galdi, responsável pelo setor de mineração da corretora SLW, reconhece que há muita fumaça, mas acredita ser muito difícil projetar qualquer movimento com os eventos até aqui.

Barreira

Este embaraço todo também envolve o governo. Naquele jantar em Nova York, Eike pode ter se aproximado de Lula. Segundo notícia da revista Exame, o Governo articula um meio de tirar Roger Agnelli da presidência da mineradora. Lula inclusive já criticou publicamente o atual presidente da mineradora.

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O interesse de Eike poderia andar junto com uma eventual manobra política. Por outro lado, a vontade do Governo parece ser elevar sua participação no controle administrativo da Vale. Recentemente, o ministro de Minas e Energias, Edison Lobão, propôs um aumento dos royalties pagos pelas mineradoras ao governo.

O Instituto Brasileiro de Mineração criticou duramente a ideia, afirmando que “a comparação feita pelo Ministro Edison Lobão entre petróleo e minérios é, no mínimo, esdrúxula, desconhecendo a autoridade o pesado ônus imposto à mineração, sem que haja nenhuma política de incentivo fiscal específico para esta atividade”.

Outra questão que preocupa é o perfil agressivo de Eike, que vendeu ativos de mineração a grupos estrangeiros recentemente, questão que desagrada o Governo. Por isso, circulam rumores de que a aproximação de Lula com Eike poderia impor cláusulas especiais a fim de limitar esta possibilidade.

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O que mudaria?

Mesmo de difícil conclusão, a questão mexe com os ânimos do mercado. Caso venha a ocorrer, qual seria o impacto da entrada de Eike no controle da Vale? A agressividade do empresário, que chegou a afirmar que vê potencial da mineradora dobrar de tamanho em cinco anos, pode agradar como também é vista como exagero por alguns.

Na avaliação da Link Investimentos, quem mais tem a ganhar são as companhias do grupo EBX, em valor e sinergias. Ainda assim, os analistas avaliam que “a compra de uma participação da Previ pode não acionar o tag along nas ações de Vale, já que não haveria troca de controle na Vale, o que não traria maiores valores para acionistas na bolsa”.

Para Galdi, a grande questão é o que Eike fará se realmente vir a assumir o controle da mineradora, o que é ainda uma incógnita. Em relação a gerar valor ao acionista da Vale ou não, destaca que vai depender se o mercado gosta da figura de Eike ou não. O desempenho dos papéis do grupo EBX pode ser um referencial para esta resposta.

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* Crédito da imagem: revista Minérios & Minerales