PT: companheirismos, governabilidade e isolamento

Já não se vê quase ninguém, exceção dos fanáticos de sempre ou militantes pagos, defendendo o partido ou suas posições

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* Comentarista convidado: Franklin Mendonça

DE BRASÍLIA – É cada vez mais preocupante o completo isolamento do Partido dos Trabalhadores no cenário político. A começar pelo isolamento em sua própria base de apoio. Na terça feira o presidente da Câmara, Eduardo Cunha em manobra articulada, juntamente com a base aliada e a oposição, deixou o partido totalmente fora do comando das novas e bombásticas, para o governo Dilma, CPIs que serão instaladas nas próximas semanas. BNDES, fundos de pensão e crimes cibernéticos. Foi tão surpreendente que deixou o líder do PT José Guimarães (CE) atônito: “Vamos virar a mesa, disse”. Vamos quem? – perguntava-se no Congresso se nem os petistas se entendem.

Fato a confirmar: 59 petistas votaram na quarta-feira à noite a PEC com aumento do salários dos servidores do Ministério Público e de delegados, execrada pela equipe econômica.

Outro isolamento que se pode observar nitidamente é na sociedade, em meio aos brasileiros comuns. Já não se vê quase ninguém, exceção dos fanáticos de sempre ou militantes pagos, defendendo o partido ou suas posições. Em conversas de bares ou nos cafezinhos do trabalho os simpatizantes do PT andam amuados e não mais aguerridos como era costume. Até nas redes sociais, onde costumam ser bastante incisivos, só uma contida defesa. Há sim um ar muito constrangido.

E, mais que preocupante, incompreensível mesmo, dado o histórico de defesa intransigente dos seus, é o isolamento do partido em relação à sua história, ao seu segundo maior líder, o “capitão do time”, José Dirceu. Em duas notas divulgadas nos últimos três dias não há menção a ele. O presidente da legenda Rui Falcão só não ignorou completamente sua segunda prisão porque foi perguntado pelos jornalistas. Lula então parece que nunca ouviu falar no Zé. No Palácio do Planalto parece que a ordem expressa de não tocar no assunto está sendo cumprida até com um certo prazer.

Não são bons sinais neste momento. Tudo que se precisa no Brasil agora é credibilidade. Credibilidade pressupõe governabilidade, capacidade de liderança e controle sobre o processo político. E como conseguir isso com um governo desprestigiado pela população, com seu principal partido de apoio isolado politicamente e sem “líderes”. Se o PMDB desembarcar em setembro, na sua convenção, como está previsto, aí então….

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É muito grave a crise.

Franklin Mendonça é jornalista