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SÃO PAULO – O mês de abril promete trazer traços dramáticos para o mercado. Todos os ingredientes estão ali: a expectativa de superação do recorde histórico do Ibovespa, o temor da alta dos juros, a exaltação em torno do bom momento das commodities, a grande interrogação acerca da corrida eleitoral, cuja largada acontece neste mês, entre outras tantas variáveis. Resta no ar a pergunta sobre qual será o desfecho desta história.
Encerrando março a 70.371 pontos, o índice paulista começa o segundo trimestre pouco abaixo de seu recorde histórico, atingido em 20 de maio de 2008, quando o Ibovespa encerrou o pregão a 73.516 pontos. A meta parece ainda mais próxima quando se olha para o avanço do benchmark no último mês – alta de 5,82%.
“Após a recuperação em março do Ibovespa, acreditamos que as condições são favoráveis para a manutenção do otimismo com o mercado acionário brasileiro no curto prazo”, avalia a estrategista da Ativa Corretora, Mônica Araújo. “Só podemos aguardar as cenas dos próximos capítulos de uma novela tão emocionante”, completa.
O novo cenário
Logo de cara, o mês já trouxe novidades no front externo. Divulgado no dia 2 abril, o Employment Report revelou a criação de 162 mil novas vagas de trabalho nos EUA durante o último mês, que se compara com a redução de 14 mil vagas vista em fevereiro. Os dados marcaram uma mudança na postura dos investidores, que, à exemplo do último pregão, devem se mostrar otimistas com as perspectivas de recuperação da maior economia do planeta.
O otimismo também permeia a avaliação da Gradual Investimentos. A alta é discreta”, apontam os economistas Pedro Paulo Silveira e André Perfeito.”Mercado de trabalho fragilizado nos EUA quer dizer uma coisa: taxa de juro, a Fed Funds Rate, próxima de zero. Taxa de juro zerada na maior economia do planeta abre a possibilidade para a valorização dos mercados acionários e maior incentivo econômico ao redor do planeta. Mais um bom sinal que nos autoriza a pensar que este segundo trimestre pode representar o início da recuperação no mercado acionário brasileiro, rompendo a barreira dos 70 mil pontos definitivamente”, explicam os analistas, que, por fim, sentenciam – fatalmente o pior já passou.
O vilão
Apesar de o cenário externo seguir sendo a maior ameaça ao desempenho do mercado acionário brasileiro – com a recuperação dos EUA ainda em discussão, e o problema do déficit fiscal ainda alarmando a Europa -, o panorama nacional conta ainda com conta seu próprio inimigo: o fantasma da alta de juros, que deve ser inevitável em abril devido às pressões inflacionárias.
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“Atendendo às expectativas de boa parte dos agentes do mercado, o Banco Central manteve, em março, a Selic inalterada em 8,75% ao ano, arrastando o drama para o mês de abril, quando novamente o Copom (Comitê de Política Monetária) se reúne e deve elevar os juros para fazer frente ao aumento das projeções do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) para 2011”, aponta a equipe de análise da Spinelli. Para eles, a única dúvida que resta é o tamanho do aumento.
“A alta dos juros pelo governo sempre traz incômodo, seja na indústria, seja porque de certa forma inibe setores voltados ao consumo e aos que necessitam de financiamento”, diz Ricardo Tadeu Martins, head da equipe de research da Planner.
O mocinho
Quem aparece com força nas carteiras deste mês são as commodities, que vêm apresentando recuperação nas cotações desde o início do ano, movimento bastante favorável para a bolsa brasileira, na opinião de Mônica Araújo,” dada a representatividade destes produtos na pauta de exportação brasileira e das empresas expostas a esses mercados no Ibovespa”.
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A equipe da XP Investimentos, inclusive, identifica nas empresas ligadas aos materiais brutos metálicos, como a Vale (VALE3, VALE5) e as siderúrgicas nacionais, o embasamento da alta do Ibovespa em março. “Decidimos por ficar mais expostos a ações ligadas a commodities metálicas e rever nossa alocação nas empresas ligadas à demanda interna”, indica a corretora, no que é corroborada pela Ativa, Socopa e a Spinelli.
“O que se pode esperar de bom, é que, confirmado o cenário de aceleração do crescimento nas economias desenvolvidas, e se a China não tropeçar no próprio pé, as commodities tendem a firmar a tendência altista”, projeta a equipe de análise da Spinelli.
A continuação
Por fim, equipe da Brascan Corretora, sob a tutela de Rodrigo Ferraz, chama a atenção para o lançamento do PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento), que prevê investimentos de quase R$ 1 trilhão nas áreas de energia, logística e infraestrutura entre 2011 e 2014.
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“Em nossa opinião, o pacote realimenta as excelentes perspectivas para o desenvolvimento brasileiro nos próximos anos, com repercussões positivas para algumas empresas listadas em Bolsa”.