Crise

Próximo capítulo da crise do petróleo seria paralisação do setor

Os preços das remessas sobem para níveis estratosféricos com a falta de navios-tanque, um sinal do nível de distorção do mercado

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(Getty Images)
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(Bloomberg) — Preços do petróleo negativos, navios com cargas indesejadas e operadores tendo que usar a criatividade sobre onde estocar a commodity. O próximo capítulo da crise do petróleo é agora inevitável: grandes áreas da indústria podem começar a fechar.

O impacto econômico do coronavírus atingiu o setor de petróleo em drásticas fases. Primeiro, destruiu a demanda, pois confinamentos fecharam fábricas e trancaram motoristas em casa. Em seguida, a capacidade de armazenamento começou a se esgotar, e operadores recorreram a navios-tanques para armazenar petróleo na esperança de melhores preços pela frente.

Agora, os preços das remessas sobem para níveis estratosféricos com a falta de navios-tanque, um sinal do nível de distorção do mercado.

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O espectro das paralisações – e o impacto que terão nos empregos, empresas, bancos e economias locais – foi uma das razões que levou líderes mundiais a unir forças para cortar a produção de maneira ordenada. Mas, à medida que a escala da crise enfraquecia os esforços, sem conseguir evitar que os preços caíssem abaixo de zero, as paralisações agora são uma realidade. É o pior cenário para produtores e refinarias.

“Estamos entrando no final do jogo”, disse Torbjorn Tornqvist, que comanda a gigante de trading de commodities Gunvor Group,. “Do começo a meados de maio, pode ser o pico. Estamos semanas, não meses, longe disso.”

Em teoria, os primeiros cortes da produção de petróleo deveriam ter vindo da aliança Opep+, que no início deste mês fecharam um acordo para reduzir a produção a partir de 1º de maio. No entanto, após a queda catastrófica dos preços, quando o WTI caiu para US$ 40 negativos o barril, é o segmento de produção de gás de xisto dos EUA que lidera o movimento.

Os cortes da produção não se limitarão aos EUA. Do Chade, um país pobre e sem litoral da África, ao Brasil, petroleiras agora reduzem a produção ou planejam fazê-lo.

“Eu não gostaria de ser sensacionalista, mas sim, claramente deve haver um risco de paralisações”, disse Mitch Flegg, presidente da Serica Energy, uma petroleira do Mar do Norte, em entrevista. “Em certas partes do mundo, é um risco real e presente.”

Arábia Saudita, Rússia e o restante da aliança Opep+ se unirão aos cortes de produção, reduzindo a produção em mais de 20%, ou 9,7 milhões de barris por dia. A estatal Saudi Aramco já está cortando a produção para atingir a meta. E as companhias de petróleo russas anunciaram que as exportações do carro-chefe Ural devem cair em maio para uma mínima de 10 anos.

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Ainda assim, pode não ser suficiente. A cada semana, 50 milhões de barris de petróleo estão sendo armazenados, o suficiente para abastecer a Alemanha, França, Itália, Espanha e Reino Unido juntos.

Nesse ritmo, o mundo ficará sem armazenamento até junho. O que não é armazenado em terra é armazenado em navios-tanque. A Guarda Costeira dos EUA disse na sexta-feira que havia tantos petroleiros ancorados na Califórnia que estava monitorando a situação.

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