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SÃO PAULO – Conforme observado por Andrew Cates, analista do UBS, o rendimento dos Treasuries de dez anos está praticamente no mesmo nível que o das TIPs (Treasury Inflation-Protected Securities) de dez anos. Ou seja, “o mercado prevê pouquíssima inflação durante os próximos anos”.
De fato, o yield dos títulos tradicionais fechou a segunda-feira em 3,22%, enquanto o dos títulos indexados à inflação estava em 2,96%. Não faltam motivos. “A crise financeira mundial, a queda das commodities e a desalavancagem nos setores financeiro e imobiliário devem conter os índices de preço daqui em diante”, interpreta Cates.
No limite, caso o temor de deflação se confirme, as TIPs ficarão mais comprometidas. Contudo, essa é ainda uma hipótese alternativa. Para o analista do UBS, “o cenário de deflação só seria plausível mediante muitos erros de política econômica”.
Mínimo risco?
O mau momento para as TIPs defronta opiniões de que papéis norte-americanos atrelados à inflação representam um portfólio de mínimo risco. Embora o respeito aos preços dê a esses títulos certa preservação do poder de compra, garantir um retorno real nem sempre é a melhor opção.
Mais sobre as TIPs
O principal devolvido pelas TIPs aumenta com a inflação conforme apurações do CPI (índice de preços ao consumidor dos EUA). No vencimento, o investidor recebe o máximo entre esse principal ajustado e o valor original. Assim, existe uma proteção contra a deflação também.
Em complemento, as TIPs pagam juros duas vezes ao ano, a uma taxa fixada. Porém, a taxa é aplicada sobre o principal ajustado. Logo, o montante de juros também varia conforme a inflação.