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SÃO PAULO – O dólar terminou 2013 como o melhor investimento do ano, com alta de 15,3% ante o real, cotado a R$ 2,358. Com a degradação do cenário macroeconômico, analistas apostam que o cenário no câmbio bastante pressionado e já colocaram até um novo “alvo” para a cotação da moeda: R$ 2,50. Nem mesmo as quedas atuais da divisa nos últimos dias – que trouxeram o dólar de R$ 2,40 para os atuais R$ 2,35 – mudaram a opinião dos especialistas sobre a tendência principal da moeda.
Mas se o cenário é de pressão, porque a moeda norte-americana vem mostrando quedas significativas? Segundo o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, essas duas quedas foram por fatores pontuais, com duas notícias que derrubaram as cotações. Na última sexta-feira, o relatório de emprego dos EUA desanimou o mercado após os dados de geração de postos de trabalho ficarem em quase um terço do esperado pelos especialistas. Mesmo com a taxa de desemprego atingindo 6,7%, o indicador foi dado como negativo pelos especialistas. Além disso, ainda na sexta, o Banco Central brasileiro anunciou que iria rolar o vencimento dos contratos de swap de fevereiro, trazendo ainda mais alívio para o mercado.
“Os leilões do BC já não tem tido tanto efeito no mercado, e com a rolagem do vencimento, a autoridade monetária consegue manter a liquidez no câmbio, levando calma para os investidores”, explica Galhardo. Segundo ele, esse cenário mantém também a expectativa de que o Federal Reserve irá retirar os estímulos nos EUA de forma bastante gradual. “Com tudo isso acontecendo, os investidores aproveitam para se arriscar mais, o que leva as cotações da moeda para baixo”, afirma.
Corte de rating = disparada do dólar
Se o cenário é de pressão para a moeda, existe um fator que levar a moeda norte-americana a disparar rapidamente, podendo ultrapassar os R$ 2,50: o corte de rating do Brasil. E o grande problema é que isso não está muito longe de acontecer. Segundo Galhardo, caso seja comprovado o corte da nota de crédito do Brasil, a divisa não conseguirá se manter abaixo desse valor. “Caso a nota soberana seja realmente reduzida, veremos o dólar subir rapidamente, com espaço para até superar os R$ 2,50”, explica.
Por outro lado, ele afirma que, caso isso ocorra, o Banco Central iria intervir de forma mais pesada no mercado. “O BC, porém, não terá a intenção exata de frear a alta do dólar, mas sim de dar liquidez ao mercado, que sofrerá com a saída de recursos em um corte de rating”, explica ele.
“Mesmo com algumas quedas, o cenário do Brasil não mudou e a pressão continua”, afirma o gerente. Para ele, o dólar segue em tendência de alta, mas é possível que em alguns momentos, puxado por notícias e eventos pontuais, ele venha a cair. “Em dias de mais calmaria, é possível que tenhamos quedas acentuadas, com investidores realizando lucros, mas, novamente, a tendência geral é de alta”, conclui.