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SÃO PAULO – Operar OGX Petróleo (OGXP3) sempre foi arriscado: trata-se de uma ação demasiadamente volátil, que, embora esteja em tendência de baixa há um ano, às vezes dá saltos para qualquer direção. Mas operar a empresa – tanto comprado quanto vendido – ganhou um novo perigo: as ações podem ser suspensas assim que a empresa entrar em recuperação judicial.
A empresa será automaticamente excluída do Ibovespa e passará por um leilão, onde os investidores terão a sua última oportunidade para operar as ações antes do congelamento. Os comprados que quiserem se desfazer de suas posições poderão se desfazer de suas ações – mas não sabem a que preço o farão, já que pode não ter demanda suficiente, já que os fundos passivos jogarão milhares de ações no mercado.
Mas haverá também os vendidos comprando ações para fecharem suas posições – para não permanecer com um ativo congelado pagando 170% de aluguel ao ano. Com isso, pode ocorrer um short squeeze na ação, no momento de seu congelamento – fazendo com que o preço subisse. Isso seria longe de ser um bom negócio: ninguém sabe o preço que a ação voltaria a operar quando for descongelada. “Eu não sei o que tem na cabeça deles que tem vontade de operar esse papel”, afirma Leandro Martins, analista-chefe da Walpires Corretora.
O mercado parece entender esse risco: em outubro, a ação tem negociado cerca de R$ 20 milhões a R$ 30 milhões por dia, com uma media de 4.000 negócios em cada pregão. A média de agosto foi de R$ 150 milhões por dia, com cerca de 18.850 negócios por dia. Pouco a pouco, os investidores vão começando a “ignorar” a petrolífera de Eike Batista.
Fuja do mico
Ele lembra que isso não é um evento tão raro assim: já aconteceu, por exemplo, com os papéis da Agrenco (AGEN33) e outros que passaram por turbulências parecidas – o que justificaria a opção de ficar de fora desse ativo. “O investidor corre o risco de ficar com o dinheiro congelado, sem poder tirar, sem perspectiva. É perigoso, então eu recomendo que o investidor fique longe da OGX”, afirma o analista. Essa recomendação vale tanto para compra quanto para venda – já que o congelamento prejudicaria ambos.
Elad Revi, analista da Spinelli Corretora, também destaca esse risco, mas lembra que ainda é possível operar – desde que se saiba o que está sendo feito. “O risco está acima da média, como existe a possibilidade de recuperação judicial. Operar essas ações vai muito do perfil do investidor, tem gente que gosta de mais risco. Tem que pensar se vale a pena ou não”, destaca o analista da Spinelli Corretora.
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Para Martins, é arriscado ir atrás de papéis que valem apenas centavos – os riscos de que algo aconteça de extraordinário não compensa, afinal, eles não valem centavos à toa. “Todo cuidado é importante, o investidor que vai olhar esse papel tem que avaliar todos os riscos. Além de ser complicado, já que esse tipo de ação entra em leilão constantemente”, diz o analista da Walpires.
Revi, por sua vez, diz que a trajetória da OGX está longe de acabar – e que muita água ainda está para rolar com a petrolífera de Eike, que ainda tem chances de conseguir reestruturar suas dívidas ou encontrar capital suficiente para pagar o juro atrasado e afastar a insolvência. “Temos que esperar o desfecho dessa história”, termina.