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SÃO PAULO – Os principais contratos de petróleo encerraram esta quarta-feira (16) em alta, ainda à sombra dos acontecimentos recentes no Japão, aumentando a preocupação mundial em relação a uma possível contaminação nuclear. O Japão é o terceiro maior consumidor da commodity e os possíveis efeitos do desastre natural sobre esse mercado permanecem incertos, o que aumenta a tensão a nível global.
A cotação do barril do petróleo Brent, negociado no mercado de Londres, fechou a US$ 110,62 no pregão desta quarta-feira, alta de 1,94% em relação ao último fechamento. O contrato com vencimento em abril, que apresenta maior liquidez no mercado de Nova York, fechou cotado a US$ 97,98 por barril, configurando uma alta de 0,82% frente ao fechamento anterior.
Crise nuclear à vista?
A situação no país asiático vai de mal a pior, sobrepujando as tensões no mundo arábe ao longo da sessão. Após o terremoto seguido de tsunami que abalou o Japão, o temor de uma crise nuclear parece estar cada vez mais concreto. A situação ganha contornos ainda mais preocupantes após o depósito de combustível atômico de um reator do complexo de Fukushima apresentar rachaduras, causando um incêndio. Além disso, trabalhadores tiveram que ser retirados momentaneamente do local por causa dos riscos de vazamento de radioatividade.
Os esforços para conter as chamas foram frustrados, depois de altos níveis de material radioativo forçarem o cancelamento de um plano para despejar água de um helicóptero sobre a usina. A polícia tentará agora resfriar o combustível já utilizado pela usina com canhões de água, semelhantes aos utilizados para dispersar manifestações. O tom de alarme foi elevado ainda mais após o chefe de Energia da União Europeia ter afirmado que a situação está “efetivamente fora de controle”.
Os impactos dos desastres naturais no Japão podem ser muito maiores do que o mercado está avaliando, aponta Gustavo Migliano, operador de mercado da Win Trade, que acredita na pressão sobre as bolsas no curto prazo, enquanto os custos reais da reconstrução do país ainda forem desconhecidos.
Cenário ruim para o Bahrein
A situação no Bahrein, que registra manifestações populares reivindicando mudanças no cenário político já há algum tempo, agravou-se nos últimos dias. Na véspera, o governo declarou estado de emergência no país, após ter requisitado, na última segunda-feira, o envio de tropas do CCG (Conselho de Cooperação do Golfo), que inclui a Arábia Saudita, para auxiliar no combate às manifestações.
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Nesta quarta-feira, relatos de agências internacionais dão conta de que as forças de segurança do governo do Bahrein teriam lançado uma larga ofensiva contra os manifestantes em Manama, capital do país. A reivindicação por mudanças parte da população xiita do país, que reclama de discriminação no mercado de trabalho e direitos sociais de modo geral. Embora constituam 70% dos habitantes, os xiitas são governados pela minoria sunita.
Analistas apontam que a crise no Bahrein terá como desfecho mais provável um cenário de continuidade do impasse entre o governo sunita e a oposição xiita. Como alternativa, também é citado um cenário em que o governo do país promoveria reformas, negociando ou até mesmo fazendo concessões.
Estoques de petróleo
Outro dado que ganhou destaque foi o nível dos estoques de petróleo nos Estados Unidos. Segundo o Departamento de Energia do país, os estoques avançaram 0,5%, ou 1,7 milhão de barris, no período de 4 a 11 de março, atingindo o patamar de 350,6 milhões de barris. O aumento nas reservas norte-americanas foi menor do que se projetava: segundo projeções compiladas pela Platts, o mercado apostava em uma alta de 2,1 milhões de barris de petróleo nos estoques.
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Os números mostram ainda que as refinarias do país operaram com 83,4% de sua capacidade operacional total, acima do patamar registrado na semana anterior, de 82,0%.
Inflação
Dentro de um cenário de pressão vinda dos altos preços de petróleo, o mercado começa a temer uma pressão inflacionária em diversos países. O índice de preços ao produtor norte-americano avançou acima do esperado durante o mês de fevereiro. O indicador de preços pagos a fábricas, agricultores e produtores em geral, que é análogo no Brasil ao índice de preços no atacado, registrou alta de 1,6% durante o período, acima das expectativas do mercado, 0,6%, mas aquém do registrado em janeiro, quando foi de 0,8%.
Já o Core PPI, que exclui itens cujos preços são considerados mais voláteis, como energia e alimentos, reportou alta de 0,2%, em linha com o estimado. No mês anterior, o indicador apontara alta de 0,5%.
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Na zona do euro, o índice de preços ao consumidor subiu 2,4% em fevereiro em relação ao mesmo mês anterior, depois de subir 2,3% em janeiro. Segundo a agência de estatística da União Europeia, a inflação registrou o maior nível em 28 meses em fevereiro, puxada pelos custos de combustíveis, óleo de calefação, eletricidade e gás.
Por outro lado, a mais recente pesquisa trimestral do Banco do Povo da China, ou PBOC, realizada junto a depositantes de bancos, mostrou que as expectativas de inflação recuaram desde o fim do ano passado. O índice de expectativas de preços futuros no 1T11 caiu para 72,8%, o que representa uma queda de 8,9% em comparação com o indicador do trimestre anterior.