Protestos fazem bolsa da Turquia desabar 10%; veja fotos da “revolução”

Inicialmente em Istambul, os protestos logo se espalharam para outras cidades do país, como a capital Ankara, Izmir e Adana

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SÃO PAULO – A bolsa da Turquia desabou 10,5% nesta segunda-feira (3), fechando na menor pontuação em 10 anos, seguindo os protestos que se amontoaram em Istambul, principal cidade do país. O clima por lá é de guerra civil, com os manifestantes brigando contra a polícia, conflitos que já deixaram dois mortos. 

Na sexta-feira, uma grande multidão se aglutinou para protestar contra mudanças na Praça Taksim, a principal de Istambul. Logo depois, os protestos se armaram contra Tayyip Erdogan, primeiro-ministro do país – a quem o público vê como cada vez mais autoritário. Erdogan é o líder do Partido da Justiça e Desenvolvimento, o AKP, que tem bases islâmicas. 

Para ele, esse é um protesto “inteiramente ideológico” para enfraquecer su partido nas eleições municipais de Istambul. Os protestos logo se espalharam para outras cidades do país, como a capital Ankara, Izmir e Adana. Muammer Guler, ministro do interior, destacou que estão ocorrendo mais de 200 demonstrações em 67 cidades diferentes do país. 

Grande parte dos manifestantes usam a figura de Mustafa Ataturk, considerado o pai-fundador da Turquia moderna, logo após o fim da 1ª Guerra Mundial, que trouxe o fim do Império Otomano. Ataturk é uma figura tão referenciada que o seu nome, que significa “Pai dos Turcos”, é oficialmente proibido de ser dado a qualquer nova criança. 

Ataturk lutou por uma república turca secular, desprendida do poder islâmico. Embora os muçulmanos representem 99% dos habitantes, a grande maioria não deseja um estado teocrático. De um partido islamista, Erdogan é considerado o político turco mais influente desde o próprio Ataturk. Essa não é a primeira onda de violência que Erdogan enfrenta, já que conflitos contra os curdos são comuns nas regiões fronteiriças com o Iraque. 

Os conflitos não ganham grande destaque nos noticiários turcos, com a mídia majoritariamente governista. A exemplo da Primavera Árabe, a internet se tornou um dos grandes pontos de difusão de informações do que ocorre por lá. Um dos grandes lemas desses conflitos é que “A Revolução não será televisionada, mas sim, tuítada”, em referência ao Twitter. 

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Veja fotos dos protestos:

Turquia Protestos X

Manifestantes brigam com a polícia

Turquia Protestos IX

Polícia atira gás lacrimogênio nos manifestantes

Turquia Protestos VII

Havia uma grande quantidade de manifestantes na praça Taksim

Turquia Protestos VI

Mulheres protestam contra o governo islâmico de Erdogan; o véu islâmico é opcional na Turquia

Turquia Protestos V

Manifestantes usam guarda-chuva para se proteger da polícia

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Turquia Protestos IV

Manifestantes entraram em conflito com a polícia

Turquia Protestos III

A tropa de elite turca foi para as ruas para conter a violência

Turquia Protestos II

Manifestantes atearam fogo nas ruas de Istambul

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Turquia Protestos

A polícia usa água para derrubar os manifestantes