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SÃO PAULO – Após o discurso da recém anunciada equipe econômica de Dilma Rousseff, pautado em torno da manutenção da inflação dentro da meta e de uma política de controle fiscal, Eduardo Velho, da Prosper Corretora, identifica quais serão as dificuldades que deverão ser enfrentadas.
Segundo o economista, o principal problema do governo será a inflação, que atrapalha as intenções de Mantega de uma redução na taxa de juros ainda em 2011. Tendo em vista que a inflação de curto prazo e a expectativa para 2011 continuam elevadas, oscilando na vizinhança de 5,2%, a projeção de corte na Selic parece difícil.
Neste sentido, era esperado que o presidente nomeado do Bacen e o confirmado ministro da Fazenda defenderiam o regime de metas de inflação, escreve Velho. “O discurso é positivo para dar calmaria aos mercados , mas ainda não é suficiente para garantir que efetivamente as ações das políticas monetária e fiscal estarão sincronizadas com o objetivo da meta central de inflação de 4,5%”, aponta.
“O mercado vai observar os próximos passos do Bacen, pois a inflação, se ceder em dezembro, permanecerá em nível elevado. Será preciso dar uma “prova”, ou seja, reduzir gastos e/ou elevar a taxa de juros”, continua ele.
Exagero
Os pronunciamentos desta quarta-feira (24) serviram, pelo menos, para evidenciar que o mercado exagerou na dose na hora de precificar as perspectivas para o próximo ano, escreve o analista da Prosper.
“Até a abertura da desta sessão, o mercado futuro de juros precificava um aumento da taxa básica de juros em 2011, superior a 200 pontos-base, ou seja, a meta Selic atingiria taxas entre 12,75% e 13% [ao ano]. Já havíamos avaliado que o mercado ‘esticou a curva para cima em demasia'”.