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SÃO PAULO – Em seu Relatório Trimestral de Inflação, divulgado na manhã desta quarta-feira (25), o Banco Central anunciou suas perspectivas para a evolução dos preços, projetando para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) uma variação de 6,0% no final deste ano, bem acima do centro da meta de 4,50% estipulada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional).
Tal projeção está associada ao cenário de referência, que admite como pressupostos a manutenção da taxa de câmbio constante em R$ 1,65, sem alterações durante o horizonte de previsão, além da meta para a taxa Selic em 12,25% ao ano. Para 2009, a projeção para o IPCA, com base neste cenário, está em torno de 4,7%, também acima do centro da meta de inflação.
A nova projeção para a inflação é 1,4 ponto percentual superior àquela apresentada no relatório de março e chega próximo ao teto da meta. Segundo o BC, “a probabilidade estimada de a inflação ultrapassar o limite superior (6,5%) do intervalo de tolerância da meta em 2008 situa-se em torno de 25%”.
Assim como no relatório publicado em março, o Banco Central projeta o crescimento de 4,8% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2008, levando em consideração o cenário de referência.
Cenário de mercado
No chamado cenário de mercado, que considera os dados da pesquisa conduzida pela Gerin junto a analistas do setor privado, a projeção para a inflação oficial acumulada em 2008 é de 6,0%, em linha à traçada pelo cenário de referência e superior também à projetada no último relatório, de 4,7%, além de superar o centro da meta de inflação estabelecida pelo CMN.
Ainda de acordo com o cenário de mercado, que adota como pressupostos a taxa Selic média a 13,66% ao ano e uma taxa de câmbio de R$ 1,68, a inflação acumulada em doze meses deve encerrar 2009 a 4,7%.
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Riscos à inflação
Dentre os principais riscos traçados pelo Banco Central a um cenário inflacionário benigno no país, do lado externo, estão uma potencial intensificação das tendências contracionistas e o comportamento dos preços internacionais de commodities, principalmente o barril de petróleo, que afeta preços domésticos de combustíveis e outros derivados, podendo ter efeitos indiretos no setor de agricultura.
No entanto, o BC afirma que “mantém a avaliação de que o principal risco inflacionário advém de fatores internos”, com expectativas de que a demanda continue crescendo de forma robusta, exercendo pressão sobre a capacidade de oferta de praticamente todos os setores da economia.