Projeções da Fipe apontam inflação de 9% em 2002

Revisão se deveu ao aumento nos preços nas últimos semanas em função da alta do dólar; possível reajuste das tarifas de ônibus não foi considerado

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SÃO PAULO – A Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) da USP revisou para cima as projeções para a inflação em 2002, pela quarta vez desde o início de novembro. Dessa forma, as projeções passaram de 5,5% para 6,5%, depois para 7,5%, e por último, de 8,5% para 9%.

Inflação no ano deve ficar em 9%

A revisão se deveu, principalmente, ao aumento no nível geral de preços acima do esperado no mês passado. A Fipe projetava inflação de até 2,5% em novembro, enquanto o relatório Focus do Banco Central, que reúne a opinião de cem analistas de mercado, estimava inflação de 2,41% em novembro e 8,73% no acumulado do ano. Contudo, o IPC do mês de novembro veio bem acima, e mostrou avanço para 2,65%, o maior desde agosto de 1995.

No mês novembro, o IPC foi novamente pressionado pela expressiva alta dos preços que compõem os itens alimentação e habitação. Já os produtos e serviços que compõem o item transportes registraram inflação média de 3,77%, refletindo o aumento dos combustíveis autorizado pela Petrobras. No último dia 1º de novembro, a estatal divulgou que o preço do litro de gasolina aumentaria em 12,09% nas refinarias, enquanto o diesel subiria 20,50% e o gás de cozinha, 22,80%.

Possível reajuste das tarifas não foi levado em conta

Entretanto, essa revisão não levou em consideração um possível aumento nas tarifas de ônibus. De acordo com as projeções da Fipe, se a tarifa for reajustada para algo em torno de R$ 1,60, uma parcela desse aumento deve acabar refletindo na inflação apenas a partir do mês de janeiro. Porém, se o reajuste for de R$ 1,91, como o reivindicado pelas empresas de ônibus, a inflação em 2002 pode ficar em dois dígitos.

Para o mês de dezembro, a expectativa da Fipe é de inflação em torno de 1,28%, a mesma do mês de outubro. Como a maioria dos reajustes já ocorreu, uma nova safra de aumentos nos preços deve acabar obrigando os consumidores a cortarem determinados produtos do orçamento.