Programa bi-combustível deve garantir exportação de etanol do Brasil ao Japão

Técnicos dos dois países devem analisar agricultura energética e definir metas de investimento e modernização para o setor

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SÃO PAULO – Depois da demonstração de interesse por parte do governo de japonês pelo etanol brasileiro, o Ministério da Agricultura brasileiro anunciou, nesta quinta-feira (3), que está firmando com o Japan Bank for International Cooperation (JBIC) um acordo para implantação de um programa bilateral de bi-combustível. Através do programa o Brasil exportaria ao Japão etanol e biodiesel.

A partir de abril deste ano, técnicos dos dois países devem estudar a agricultura energética brasileira de forma a estabelecer estratégias para modernizar o setor e, conseqüentemente, ampliar a produção nacional desses combustíveis. Realidade em vários países, o uso de bi-combustível foi regulamentado, através de Lei, em 2003, quando o governo autorizou a adição de até 3% de álcool à gasolina japonesa.

Demanda inicial é de quase 14% o consumo nacional

Segundo informações da Agência Brasil, a demanda inicial do mercado japonês é de 1,8 bilhão de litros/ano. O volume equivale à cerca de 14% do consumo interno do Brasil, estimando em cerca de 13 bilhões de litros. O programa procura estudar alternativas de financiamento de longo prazo que permitam o aumento da produção e garantam a exportação regular do produto ao Japão.

De acordo com informações do secretário-executivo do ministério, Luiz Carlos Guedes, o acordo deve possibilitar investimento na expansão do plantio de cana-de-açúcar, instalação de novas destilarias e modernização da infra-estrutura de estocagem e transporte de etanol.
Além do etanol, a mamona interessa

Não foi dada nenhuma informação com relação ao potencial de investimento na área. Segundo o diretor do JBIC, Toshitaka Takeuchi, o Brasil é o principal parceiro do banco na América Latina. A instituição conta com uma carteira de US$ 8 bilhões para investimentos nas áreas de petróleo, saneamento, agricultura e logística, entre outras.
O executivo ressaltou que a assinatura do termo é apenas a primeira etapa do projeto, cujo resultado e potencial de investimento só será conhecido no final deste ano, quando os técnicos terminarem a analise do mercado brasileiro.

Além do etanol, o Japão demonstrou interesse na importação de óleo de mamona para a fabricação do bio-diesel (mistura do óleo ao diesel de petróleo), combustível que deve começar a ser usado neste ano no Brasil.