Produtores de algodão devem discutir política de subsídios dos EUA na OMC

Painel deve ser aberto no próximo dia 18/03 e deve ser marcado por uma longa batalha jurídica

Publicidade

SÃO PAULO – Os produtores de algodão no Brasil e dos EUA devem iniciar, no próximo dia 18 de março, uma nova rodada de discussões a respeito da política de subsídios no mercado de algodão concedida pelo governo norte-americano. A discussão será realizada na OMC (Organização Mundial do Comércio) através do Comitê de Arbitragem (Painel) e deve durar cerca de 18 meses.

Discussão deve ser bastante intensa

De acordo com a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), a discussão será bastante intensa, porque o Brasil precisará provar que a política de subsídios dos EUA afeta o preço da commodity no mercado internacional. Primeiramente, o governo brasileiro terá que provar que os EUA violaram a Cláusula da Paz, assinada na Rodada Uruguai.

Essa cláusula determina que os países só podem contestar a política agrícola de outro país se os subsídios estiverem dentro dos limites existentes em 1992. Contudo, o governo norte-americano possui o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), conhecido pela força e pelo respaldo nas discussões na OMC.

Para obter êxito no Painel da OMC, as indústrias de tecidos brasileiras contrataram um economista norte-americano, que não teve o seu nome revelado, e que deve realizar um estudo sobre o impacto da política de subsídios dos EUA na economia mundial. Também foi contratado o escritório de advocacia Sidley Austin Bown&Wood, sediado em Genebra, na Suíça, o mesmo escritório que cuidou do caso da Embraer versus Bombardier.