Produtoras de commodities e automobilísticas da AL podem ter ratings reduzidos, diz S&P

Possível alteração das notas se deve à desaceleração da demanda global por matéria-prima e a recessões regionais

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SÃO PAULO – Em entrevista a agência de notícias Bloomberg, Jane Eddy, diretora de ratings soberanos e corporativos da Standard & Poor’s para a América Latina, afirmou que as empresas produtoras de commodities e automobilísticas correm o risco de terem suas notas de crédito rebaixadas, uma vez que a demanda global de matéria-prima desacelera e as recessões regionais se aprofundam.

“O impacto da crise global teve um efeito de defasagem na América Latina. (…) Existem várias fontes de fraquezas, sendo uma delas a demanda. É claro que ainda não chegamos ao fundo do poço para empresas como montadoras e produtoras de commodities”, afirmou.

Ratings da região

Segundo a S&P, o número de companhias da América Latina que podem ter seus ratings rebaixados pela agência passou de 16 no ano passado para 41, enquanto os downgrades aumentaram de apenas 2 para 56 no mesmo período. Sete companhias correm o risco de perderem o status de investment grade em 2009, enquanto em março de 2008 eram apenas 3.

Os ratings das companhias mexicanas estarão sob pressão constante ao longo dos próximos dois trimestres, principalmente as manufatureiras, construtoras e financiadoras hipotecárias, segundo Eduardo Uribe , analista da agência no México.

“Apesar da deterioração dos ratings, não vemos as inadimplências acelerarem como em bancos locais de países como México e Colômbia, que continuam a rolar empréstimos existentes, o que nos impede de atribuir um maior risco financeiro sobre as companhias”, concluiu Uribe.